Exclusão histórica

“Quem não sabe se comportar, não deveria sair de casa”

Quando você tem um filho com uma condição diferente, que leva a comportamentos que normalmente são tidos como idadequados pela sociedade, acaba colecionando histórias de repreensão, preconceito, discriminação, humilhação. Especialmente se a condição especial dele for uma deficiência intelectual, um transtorno mental, autismo.

Historicamente essas são pessoas que foram renegadas, marginalizadas e escondidas pelas próprias famílias dentro de casa. Hitler antes de atacar os judeus já havia eliminado milhares de pessoas com deficiência, antes dele, leprosários já haviam sido enchidos de pessoas com transtornos mentais assim que a lepra se tornou controlada. Quem nunca atravessou para a outra calçada depois do alerta de algum familair: “cuidado, depressa, lá vem o louquinho (a)”.

Crescemos isolando essas pessoas. Crescemos tentando fingir que elas não existem. Mas, a vida acabou por escolher determinadas pessoas para receber essas pessoas dentro da própria família, ou nós fizemos essa escolha, quem sabe? E quando isso acontece, é urgente e imprecindível mostrar o quanto vale nossa força, nossa coragem, nosso desejo de mudança e justiça. Por nossos filhos e por todos que precisam desse olhar revolucionário.

Foi depois de ter ouvido essa frase: “Quem não sabe se comportar, não deveria sair de casa”, que uma mãe desabafou no Facebook. O filho, com várias condições, entre elas o autismo, rapidamente foi defendido por muitas pessoas via mídia social. Mexeu com ele, mexeu com um batalhão. Associações como a União de Pais Pelo Autismo (Uppa), rapidamente se mobilizaram para um protesto no shopping onde a família havia sido vítima de preconceito — por um dos próprios diretores do estabelecimento.

O protesto durou um dia, uma tarde. Mas é urgente que seja a cada minuto, por cada família, pela que sofre a discriminação e pela que assiste e se une à luta. Nossos filhos não ficarão mais reféns de leprosários, nem hospitais psiquiátricos torturadores, nem em jaulas, nem presos dentro de casa. É uma dor histórica, de décadas, séculos, com registros que vêm antes memso do Novo Testamento. Gerações e gerações passaram por essa situação de preconceito. Mas enfim essse é ponto da história em que nós chegamos a essa terra, e a partir de nossas ações, nada mais será como antes. Preconceito não passará.

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