Vamos nos comunicar melhor?


As impressões do mundo sensibilizam as pessoas de maneira muito distinta. A interpretação dos processos, da realidade, ou seja, do cotidiano em geral, depende do tipo de relação que cada um tem com as coisas. Quando procuramos externar o que pensamos, quando trocamos informações e opiniões, geralmente temos uma postura bastante afirmativa, quando não, impositiva.

Dependendo do momento, do fim que se quer alcançar, a inflexibilidade na hora de se comunicar não costuma render bons resultados. A literatura mundial tem diversos exemplos de como escrever com leveza, sem romper com os significados comuns a todos. Alguns escritores nos dão a impressão de estarem sempre mudando, sempre inovando seu pensamento - e isso é um grande exemplo de leveza e de transigência para entender a humanidade.

Podemos ser precisos e leves ao mesmo tempo. A busca de uma palavra adequada, que melhor explique um contexto qualquer é uma forma de dar movimento ao texto, tirá-lo de sua forma burocrática. É preciso que as palavras cativem, que criem uma ordem de raciocínio. O texto duro, de palavras que fogem à nossa realidade, tende a cair no vazio e no esquecimento. Não precisamos, no entanto, subestimar a capacidade de compreensão de um povo. Muitos escrevem para comunidades carentes como se as pessoas fossem incapacitadas, desprovidas de um entendimento mais profundo. Aí, o pensamento se torna inerte. É como se tudo se repetisse, sem se considerarem as mudanças que surgem a todo instante. A poesia, a prosa, os textos em geral (jornalísticos ou não) têm que buscar algo mais profundo, que se aproxime das necessidades atuais. Não que as regras de redação tenham que ser desconsideradas, como também as exigências mercadológicas. Diferenciar a linguagem nesses tempos de automação não é uma tarefa fácil.

A "cópia" se firmou como uma alternativa mais viável nas produções atuais, pois ela não requer tanto tempo. Os sistemas criaram os best sellers, campeões de venda nos mercados mundiais. Surgem, ao mesmo tempo, as idéias repetidas, o senso comum massacrante e opressor que nos torna cada vez mais individualistas. Somos uma sociedade "em bloco". Não precisamos de linguagens simplistas, que nos mantenham em um patamar ideológico medíocre.

A superficialidade está bem distante da leveza. Precisamos de palavras que nos aproximem da indignação, da consciência e da nossa condição humana. Essas palavras não precisam ser rebuscadas ou "elitizadas"; elas precisam nos tocar a alma, têm que preencher o vácuo que o mundo contemporâneo está criando nas relações interpessoais. O confronto de idéias agiliza os pensamentos, cria novidades e abre horizontes. O texto leve está perto da liberdade, pois ele não cai na repetição. Quando conseguirmos alcançar essa leveza, estaremos mais próximos de uma sociedade mais justa e menos arbitrária.

A. E