Design não é apenas o que parece e o que se sente

Design é sinônimo de desenhar coisas bonitas?

Acredito que alguns designers vão se identificar com uma situação constante que passo na vida que é quando me apresento a uma outra pessoa como designer e logo em seguida a pessoa solta o comentário “Então você sabe desenhar coisas bonitas?” ou “Ah, então você pode fazer meu convite de aniversário?”

Para muitos, design é sinônimo de desenhar coisas bonitas. Em muitas situações, a expectativa é que essa beleza faça parte do estágio final de um projeto. Para quem pensa assim, sinto informar: há um equívoco.

Se você não desenha coisas bonitas, então o que faz um designer?

Primeiramente, deve-se entender a terminologia da palavra “design”. Esse termo se origina do inglês, e refere-se a “projeto”. Para ajudar qualquer confusão com o termo “design”, basta lembrar do verbo “designar”. Desígnio é algo com propósito, com objetivo determinado. O Design é exatamente assim: tem propósito e metas claras e definidas. Assim, o design é uma atividade que lida com projetos e o designer é, portanto, um projetista.

O problema é que, apesar de a estética desempenhar um papel fundamental no bom design, ele é apenas um de muitos outros. Mas a estética gravitou vagarosamente para se tornar o centro da abordagem, posicionando design como uma prática artística. Com o aumento da presença e influência estratégica das agências de publicidade, talvez a principal contratante de designers na era da informação, designers foram colocados de lado, afastados de qualquer envolvimento para pensar a função e a estratégia, e mais próximos de decidir apenas os aspectos estéticos. Ao longo do tempo, design migrou de uma atitude de resolução de problemas para uma profissão especializada, técnica e superficial. Não enxergo o design como uma profissão especializada, mas como um conjunto de habilidades e uma forma de pensar necessária a todas as profissões.

E porque você está explicando essas diferenças?

Minha intenção é mostrar a necessidade de um designer na solução de qualquer problema do dia-a-dia. Eu sou designer e minha busca constante é em alinhar design com estratégias e desenvolvimentos de negócios. Posso dizer que, apesar de não ser simples, precisa ser feito. Costumo expressar nossa utilidade, humanizando a relação da pessoa com o objeto, sempre me preocupando em me fazer entendida. Portanto, fazer design deve ser um exercício contínuo de empatia. No design não basta que algo funcione ou cumpra seu propósito. Esse algo precisa fazer sentido para as pessoas que o utilizam. Mesmo dentro dessa teia de diversas áreas, o design permanece com uma característica fundamental: definir uma solução baseada no ser humano.

A empatia pode ser resumida como a atitude de se colocar no lugar do outro. Essa maneira de pensar diferencia o designer, permitindo que integre o projeto com as questões subjetivas do ser humano. Os efeitos disso são soluções mais adequadas à realidade das pessoas que irão utilizar o produto ou serviço. É fundamental, nesse sentido, refletir para detectar os verdadeiros problemas das pessoas e pensar em como resolvê-los, ou seja, desenvolver a problematização do projeto.

A Prática do Design consiste em navegar, de modo atencioso e reflexivo, desafios complexos [e ‘wicked problems’] com um viés ao desenvolvimento de soluções.

Então me diz, o que é design pra você?

Design existe muito antes da palavra em si surgir…afinal o nosso antepassado que amarrou uma pedra pontuda em uma pedaço de madeira para fazer um machado estava projetando uma ferramenta, para solucionar um problema e é isso que o design significa para mim: criar soluções criativas para problemas cotidianos e melhorar o mundo a nossa volta.


Design não é apenas o que parece e o que se sente. Design é como funciona.” — Steve Jobs.
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