Faz alguns dias que tenho acordado com desconhecidas. São dores sem raízes em mim, que nunca contam de onde vieram. Ora sinto que fizeram um longo caminho, ora que sempre moraram aqui. Elas me chutam durante a noite, roubam o cobertor. Se eu pergunto algo, elas apenas viram pro outro lado e dormem. Sempre roncando alto, é claro. Então eu viro pro outro, e me pergunto se na verdade não fui eu que a convidei e esqueci. Acabo dormindo e quando acordo me sinto como um daqueles personagens de filme americano que acorda de ressaca não se lembra o nome do(a) amante da noite anterior. Já tentei perguntar. Então eu me viro, me levanto vagarosamente me apoiando na cama. Abaixo, pego minhas roupas espalhadas pelo chão, e saio do quarto para me preparar pro meu dia, com passos leves para não acorda-la.

Ao sair do banho, um cheiro de café e a luz entrando pelas janelas com as cortinas abertas. Tudo é amarelo. Chego na sala e todas as minhas comidas preferidas de café da manhã estão servidas, me esperando. Eu me sento, tomo um gole do café. Ela chega, puxa sua cadeira, e senta ao meu lado. Também está trocada, de banho tomado, cabelo ainda secando. Quando saio do elevador, ouço seus passos me acompanhando em direção ao meu dia.

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