Mapa

Madrugada e meu coração está batendo rápido demais pelos motivos errados 
Os fins de mim estão gelados 
O pensamento é disforme e tudo dentro de mim flutua em barulho dolorido 
Tropeço no nada, minhas mãos nada tocam mas tremem em todos os seus caminhos 
Meu corpo é feito de um quente sufocante
E tudo em mim se acumula 
Contorço noite a dentro 
Em um breve e doce flash vejo luzes, ruas, placas, faróis, flores e uma janela me leva até você
Então é fim de tarde 
O mundo é laranja claro e suas mãos desenham a vermelhidão em minha pele 
Você é um mundo em que meus pulmões sabem que espaço lhes pertence. 
Um mundo em que o barulho dança. Não dói. 
Sua voz é meu mapa do tesouro
e pela primeira vez em muito tempo presto muita atenção pra onde vou
Minhas mãos buscam tudo 
Seus dedos se entrelaçam aos meus 
Sua respiração se entrelaça nos meus suspiros.
Meu corpo é feito de um quente sufocante
E tudo em você se desfaz
Contorço-me envolta no tempo

Jamais estive tao fundo no mar aberto. 
A luz do sol se divide em brilhos que flutuam sobre as suas ondas. Sua pele emana todos os caminhos em que despreparados para as maravilhas do mundo se perderam. 
Os arquipélagos em que marinheiros jogaram a culpa de sua incapacidade de respirar a imensidão 
No canto de sereias que só eles puderam ver. 
Olhando para cima, procuro me guiar pelas nuvens, e não pelas estrelas 
Nuvens se desfazem e dançam quando querem e por isso com elas vou para lugares que não sabia que queria.

Erguendo as velas, torço poder chegar em um novo mar 
Uma imensidão em que eu pule sem medo da minha própria incapacidade de respirar. 
Seu sorriso é ventania que pode virar meu pequeno navio, e suas sardas são as explosões de um céu estrelado. 
Quando termino de ergue-las, peço para que eu aprenda a navegar
Assim que ato o último nó
Não me lembro qual é qual
Não me lembro de que porto sai
Não sei para que ponto apontava a ponta da agulha um segundo atrás.
Você se desfaz. Quem és nunca apareceu com clareza em um céu que eu pudesse enxergar. Nuvens dançam quando querem
Ouço o som surdo da pressa que pulsa nos meus ouvidos, o silêncio violeta dos trovões 
Aqui hoje a noite é de chuva
E buscas em alto mar.

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