Trégua

Quando se tem sono, tudo não tem sentido ou tem sentido demais,

denso demais, me envolvendo demais, me afundando em mim ou em algum lugar que não sei.

mas não sólido, nunca sólido.

Quando se tem sono, se tem motivo para a quietude

esta que sempre demora a chegar e,

como um parente lhe cuidou na infância,

que quando chega, às vezes abre feridas,

às vezes se parece com estar em casa

Quando se tem sono, tem-se finalmente motivo para todo esse cansaço que se costurou em meu peito

virou uma caverna quente e oca, ou uma grande e pesada máquina a vapor

sentido para o cansaço sem necessidade que brota como um mato, espontâneo e multiplicável

e usa de uma terra feita de meu corpo,minha carne

para se nutrir

seca meus nervos para se erguer

O cansaço se torna viscoso, gordo, saudável

crescendo aquecido por um sol que flutua despreocupado

enquanto ainda não sei seu nome.

Ganho então permissão para amolecer-me, inerte, desmoronar-me em grãos de areia molhada
neste visco que é constante

só quando tenho sono.

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