Setembro Amarelo e eu


Setembro Amarelo

Umas das buzzwords do momento ganhou ainda mais visibilidade por meio da hashtag #setembroamarelo, amplamente compartilhada nas redes sociais.

O contexto do setembro amarelo é chamar a atenção para a depressão e combate ao suicídio. Em alguns escopos um pouco mais abrangentes o Setembro Amarelo assume a frente na conscientização para a saúde mental e suas infelicidades, quando não damos a devida atenção para a saúde de mente.

Com essa enxurrada de informações das redes sociais, todos podem acompanhar correntes cheias de boa vontade e empatia pelo próximo, bem como muitos posts informativos sobre a importância da saúde mental e a existência de diferentes tipos de transtornos (ansiedade, borderline, obsessivo-compulsivo, stress pós-traumático, déficit de atenção, entre muitos outros), e como cada um deles afeta as pessoas no dia-a-dia, visando explicar as dificuldades que elas enfrentam, ajudando a derrubar mitos construídos em torno destes assuntos tão pouco abordados.

O combate ao suicídio está se intensificando, pois os números são infelizes e assustadores… Os trechos à seguir foram extraídos de um documento da Organização Mundial de Saúde (PT-Pt):

Estima-se que aproximadamente um milhão de pessoas tenha cometido suicídio em 2000, colocando o suicídio entre as dez causas de morte mais frequentes em muitos países do mundo. (…)
Um maior número de pessoas comete suicídio anualmente do que as que morrem em todos os conflitos mundiais combinados. (…)

Números estes que poderiam ser evitados se a saúde mental das pessoas não fosse negligenciada na rotina. Na rotina do trabalho, na rotina da escola e na rotina familiar. 
Depressão é aquele problema que só existe da porta para fora. É o que a filha preguiçosa da vizinha tem, que o empresário frustrado tem, que o ator da novela tem. Mas aqui em casa todo mundo é feliz! Meu filho anda meio tristinho esses dias, mas ele está bem! Tem tudo na vida, nunca que vai ter depressão!”

Acontece que depressão, bem como outros transtornos, apresentam sintomas discretos, silenciosos. Pequenas dificuldades sociais, perturbações no humor, excesso (ou falta) de sono, transtornos alimentares e outros muitos fatores que vão acontecer vez ou outra na vida de qualquer um, na vida dessas pessoas é só mais um dia comum. Mais um dia péssimo! Muito difícil de ser enfrentado, muito difícil de levantar da cama e muito difícil fazer as coisas triviais do dia-a-dia. — Essas são as (tão facilmente julgadas) pessoas preguiçosas.

Com isso em mente, mais um trecho do documento se faz fundamental de ser citado:

Estima-se que cerca de 90% dos indivíduos que puseram fim às suas vidas cometendo suicídio tinham alguma perturbação mental e que, na altura, 60% deles estavam deprimidos. Na verdade, todos os tipos de perturbações do humor têm sido claramente associados aos comportamentos suicidas. A depressão e os seus sintomas (como, por exemplo, tristeza, letargia, ansiedade, irritabilidade, perturbações do sono e da alimentação) (…)

Falar do combate ao suicídio conduz a discussão para um desafio enorme, que é entender o que leva um indivíduo a tirar a própria vida, e o documento diz:

Os suicídios resultam de uma complexa interacção de factores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais, e ambientais. (…) O desafio chave de tal prevenção consiste em identificar as pessoas que estão em risco e que a ele são vulneráveis; entender as circunstâncias que influenciam o seu comportamento auto-destrutivo; e estruturar intervenções eficazes.

Essas informações, entre muitas outras, deveriam chamar atenção e não podem mais passar desapercebidas pela sociedade. Compartilhei os trechos que abordavam brevemente o assunto e deixo aqui o meu apelo pela informação e empatia!

E eu?

Ah… Eu tenho a Ansiedade como minha companheira diária. Tudo que acontece no meu mundo é gatilho para infinitas teorias, explorando todas as possibilidades (que na verdade nunca irão acontecer — mas minha cabeça insiste em “me deixar preparado caso alguma delas aconteça”). Eu falo das minhas experiências com Transtorno de Ansiedade Generalizada num outro espaço, mas aos poucos vou trazer uns post para a plataforma do Medium. Se você quer saber um pouco mais sobre ansiedade não deixe de acessar o meu blog pessoal.

Obrigado a todos que cederam um tempinho para ler este post! 
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