o grande e belo desfile da morte
poema inspirado na música The Black Parade — My Chemical Romance.

ao longe vem vindo um estranho desfile
máscaras coloridas sorridentes
cobrem rostos tristes e tediosos
elegantes vestimentas de cores vivas
adornam corpos que pulam e bailam
num pesado movimento de dança desencontrada
no centro do extravagante grupo, uma bandinha
com seus tambores, flautas e outros incomuns instrumentos
eles cantam e tocam em ritmos que se misturam e se desencontram
é o canto da morte em sua parada
passando pela avenida onde as pessoas assistem
num silêncio quase misericordioso.
as estranhas criaturas que desfilam a luz do alaranjado crepúsculo
fascinam e assustam na mesma medida
alegria e tristeza parece dividir ao mesmo tempo
aqueles corpos já sem vida
que habitam agora os desconhecidos campos além vida
a excêntrica parada é o vislumbre da morte
e quem assiste não esquece jamais.
a bandinha toca sua música concentrados
todos seguem naquele esquisito bailar
vez ou outra quem assiste de longe
sente a urgente necessidade de seguir o desfile
o corpo antes imóvel começa o movimento
e a parada ganha mais um integrante.
o silêncio permanece depois que a multidão passa
com o cessar dos tambores, das flautas e dos outros estranhos instrumentos
apenas o silêncio permanece
a luz da lua é agora a única fonte de luz e as estrelas o único caminho a seguir.
