Acenda a luz

Quando se dorme em quartos escuros, as luzes externas influenciam pouco ou nada, não importando quão forte sejam seus raios. A escuridão some à medida em que a luz entra. O menor feixe de luz é suficiente para enxergarmos o ambiente escuro em que estamos imersos. Toda a dificuldade, portanto, não está nos problemas ou nos obstáculos pelo caminho afora. A dificuldade é de abrir a primeira fresta.

Se temos uma ferida inflamada, a maior dor já não será do ferimento, já não está na causa e nem no remédio. O tratamento de uma ferida começa na remoção da sujeira que a encobre. Abrir-se pode doer física e psicologicamente.

Ao se abrir, ficamos expostos com nossas feridas abertas. Qualquer mínimo toque faz doer, porque há uma sensibilidade até ao menor sopro do vento. Há um sentimento de fraqueza, uma vulnerabilidade capaz muitas vezes de gerar vergonha. Nem todo mundo sabe lidar com nossas feridas. Muitos não entendem nossa dor, mesmo bem intencionados. Mas uma abertos, a ferida é limpa. Uma vez que se puxa a cortina, a luz se sobrepõe à sombra. Enxergando, assim, podemos remover os obstáculos, um a um, até que alcancemos a porta de saída.

Nos momentos de escuridão, precisamos sempre lembrar desse primeiro passo. Não tenha medo de abrir suas feridas. Muitas vezes o remédio já está nas suas mãos enquanto você o desperdiça enquanto acumula sujeiras na alma.

Like what you read? Give Adriano Xavier a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.