Inteligência e vaidade

A inteligência é como uma espada que se afia com o tempo. Quanto mais fino está o fio da espada, mais eficiente será no corte dos obstáculos, diminuindo o esforço e aumentando a produtividade. Também, quanto mais afiada a espada, mais desastroso será um corte por acidente. Se descuidamos por uma fração de segundo, somos cortados ao meio.

Fico pensando em quantas vezes utilizei a inteligência apenas com o objetivo de ser o mais inteligente. Ter a resposta mais adequada, de mais alto nível, ser o melhor. Artigos e mais artigos consumidos para possuir o argumento irrefutável, construindo um muro de conceitos que, além de afastar qualquer possibilidade de opinião contrária, fez ruir os vínculos sociais que podem manter uma conexão aceitável com o mundo.

Assim é a inteligência. Como uma arma a ser usada na defesa justa ou peça de um crime. Mata pela vaidade. Porque buscar inteligência? Todo esse empenho em consumir informação, técnicas, sabedoria, tem como objetivo a construção daquilo que é bom, ou serve apenas para gloriar-se de um cérebro autossuficiente e egoísta?

A inteligência inútil e desnecessária, usada para buscar aplausos, não passa de pedra de tropeço. Humilha os menores, endurece o coração e alimenta a vaidade. O desejo desordenado pelo saber afasta-nos da humildade de olhar para nós assim como o somos: um grande amontoado de nada.

“Todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco do que a ti mesmo.” — Tomás de Kempis