Ser e dever ser: Qual o sentido da vida?

Pensando na finalidade de ser, após uma desconstrução filosófica de mim mesmo, me deparei com o desafio de compreender e perceber qual a minha missão. Principalmente porque essa desconstrução foi um gatilho para que eu tomasse conta de que tudo aquilo que um dia eu pensei que fosse meu objetivo final, minha finalidade, minha razão de ser, na verdade eram meios de fugir de um sentimento de vazio, já que nada disso dava sentido à minha vida.

Após me dar conta de tudo isso, me coloquei a pensar na reconstrução do meu ser, desde o princípio. Perceber-me inserido em uma realidade, entender os aspectos dessa realidade; me entender como um ser bio-psico-socio-espiritual em constante busca de algo e, na relação com a comunidade, auto transcender e encontrar nesse conjunto de ações, qual a razão final do meu existir. A desconstrução de si mesmo é um processo rápido como uma luz que acende e, de maneira bem rápida, ilumina todo o local, toda a situação. Então eu posso dizer que é um processo fácil perceber quando a direção está errada ou quando não há sentido no caminho que estamos trilhando. Porém, é na reconstrução que o processo começa a ficar mais árduo. Como individuo responsável, que responde de maneira única, que oferece uma resposta pessoal e única, cria-se a necessidade de me posicionar na vida. Mas não somente tomar uma decisão, escolher um outro caminho a seguir.

Na expressão maior do ser — exercer o bem — não se encontra o sentido na mera criação de um, visto que o sentido surge a partir da finalidade, encontrado na experiência do autoconhecimento e na autotranscendência. Buscando essa experiência, podemos perceber (não criar) o nosso objetivo final e buscar esse objetivo, essa finalidade, essa razão de existir, de maneira virtuosa. Encontrar, com prudência e justiça, fortaleza e temperança, humildade e magnanimidade, os meios para se atingir e completar a nossa tarefa existencial. E essa finalidade, para ser verdadeira, implica em fazer o bem para mim mesmo, contribuir para o bem comum e me levar à completude. Ora, se a pessoa humana tem, naturalmente, uma incompletude experimentada através da distância do paraíso, desde os primeiros — Adão e Eva — significa que a minha razão de existir só é verdadeiramente autêntica se fizer bem tanto para o outro quanto para mim e, sobretudo, me levar à Deus, suportando todos os obstáculos.

Tendo em vista todas essas considerações, o manual para encontrar o sentido da vida foi traduzido então por uma personalidade muito conhecida no mundo todo, chamada Jesus Cristo, e esse manual para encontrar o sentido da vida se resume nos seguintes passos: Amar à Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a mim mesmo. Estes dois passos desse manual nos leva ao bem comum, fazendo bem ao próximo e a mim mesmo, suportando virtuosamente todos os obstáculos e sofrimentos na busca da realização desse sentido de vida, amando à Deus sobre todas as coisas, obstáculos, dificuldades, contratempos e vontades individuais, chegando à realização maior para qual fomos feitos: a salvação.

“Nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso” — Santo Agostinho.