Um minutinho de atenção para suas ideias


Elas aparecem como um sinal divino, dão esperanças, visão de futuro, mas sem maiores explicações, vão embora.

Estou falando, é claro, das boas ideias, aquelas que aparecem, empolgam, mas de alguma maneira somem dos seus planos e vão parar direto no fundo da sua gaveta. Já aconteceu com você?
Ou pior, vai dizer que você é daquela turma que se diz ocupada demais para que ideias bacanas apareçam?

Bem, para os engavetadores de ideias não prometo a solução, mas pretendo que esse texto seja um empurrãozinho para libertá-las de lá. ( E para os ocupados, falo mais adiante, vou dar o tempo deles terminarem de responder aquele e-mail urgentíssimo) .

Pois é, independente do tamanho da sua ideia, engavetada ou não, não existe fórmula mágica. Só existe uma forma do seu projeto se tornar realidade: Mão na massa. E acrescente aí boas doses de dedicação, trabalho, organização e criatividade. Agora pense melhor, será que isso é ruim?

Claro que não! A ideia é toda sua, ela te pertence, ninguém é mais capaz de tirá-la do papel do que você.

E assim, também ando repetindo essa frase a mim mesma.

E por que estou falando disso?

Porque a partir de hoje estou dando o primeiro passo para desengavetar uma ideia. Ela já estava a um bom tempo por lá, até que tive o incentivo de uma amiga. Respirei fundo, criei coragem, e comecei a pensar na melhor forma de colocar a ideia em prática.

Mas que ideia é essa, e pra que tanto drama?

Minha ideia pode parecer simples, quero escrever mais e tentar fazer disso um hábito. Escrever sobre assuntos variados, que tragam alguma novidade, alguma dica para sair da rotina, um novo ponto de vista, ou uma pequena inspiração cotidiana.

Mas não quero só escrever, quero escrever bem. E para chegar nesse nível terei que praticar. Esse texto está sendo meu primeiro passo, e já que resolvi me desafiar, estou me utilizando dele para propor que você também se desafie, e reveja por onde tem andado a sua criatividade.

Ah, e o drama?! É por conta da minha inquietação. Eu trabalho com a parte visual da comunicação, não me expresso com tanta facilidade na escrita, e costumo irritar as pessoas com o meu eterno “digitando…” nos WhatsApps da vida.

Sim… mas eu também sou teimosa, e de “digitando…” em “digitando…”, mal ou bem o primeiro texto saiu.

OK. Mas e quem é você, queridinha?

Que indelicadeza a minha, deixa eu me apresentar! Meu nome é Adriana, sou formada em Artes Gráficas, pós-graduada em Branding. E hoje trabalho com design digital, criando sites e auxiliando marcas a projetarem sua identidade visual na web.

Bem, ao menos é isso o que diz no meu LinkedIn.

Mas o que não vai dizer no meu perfil, é que na faculdade ganhei o apelido de “xunxeira”, e não foi por agir fora das normas, que fique claro.

(Aliás, para quem já me aplicou o apelido, desafio a explicar melhor essa história ❤)

A minha versão, é que o apelido veio da mania chata que eu tinha de questionar algumas instruções dos professores, principalmente nas disciplinas de embalagem e prototipação. Eu entendia bem o objetivo de cada projeto, mas sempre ficava pensando:

“Não, deve ter um jeito melhor de fazer isso!”

E nessa, alguns dos meus projetos se destacavam, não exatamente pelo resultado final, mas por “interpretar” as instruções e utilizar outros processos. Claro que nem sempre dava certo, mas quando dava, junto com o apelido, também aparecia a frase: “Que criativo! Como é que fez isso?”


Mas vamos voltar ao que interessa...

Enfim, modéstia a parte, acho que fiz bom uso da criatividade na faculdade, mas passada essa época, é preciso enfrentar o tal do mercado de trabalho.

E pra quem já está nele sabe, é outro ritmo, outro objetivo, tudo muda. Nesse processo estamos sujeitos a deixar de lado alguns anseios e projetos pessoais, e foi por isso que lá no começo questionei os ocupados. (Pronto galera, já deu tempo de responder o e-mail.)

Geralmente essas são pessoas dispostas e comprometidas, tropeçam diariamente numa ponta de criatividade, mas não percebem nela a oportunidade de fazer algo diferente, de ter uma nova ideia.

Ilustra by Paperbeatsscissors

A busca de um maior equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal, me incentivou a testar algumas formas de me manter, ou de me sentir criativa. Mesmo porque, nessa jornada descobri que criatividade vai além de profissão, ela é um temperinho do dia-a-dia que qualquer um pode desenvolver.

E se, logo EU estou conseguindo ESCREVER esse post, talvez seja uma boa hora para você acreditar mais em você.

Yes, you can!

E por que não tentar? Pensar de forma criativa é um exercício que pode auxiliar muito em seu emprego, mas é importante que seja também o reflexo de um bem-estar pessoal. Fica mais fácil quando você vê a criatividade aplicada no seu cotidiano, seja em um novo método de estudo, no melhor aproveitamento do seu tempo, em uma melhor interação com as pessoas, ou mesmo no levantamento de alternativas diante de uma adversidade.

A dica é: não tenha medo de arriscar. A criatividade dá trabalho, te força a pensar, refletir, questionar, mas no fundo ela só quer ajudar. Ela nem sempre avisa quando aparece, mas resumi algumas mudanças de hábito que são melhores que um convite:

Peço perdão pelo trocadilho
  1. Saia da zona de conforto;
  2. Seja curioso;
  3. Tome nota das suas ideias;
  4. Varie as suas fontes de referência;
  5. Corra riscos. (Essa vale a pena citar de novo)

Talvez não só isso, e não necessariamente nessa ordem, mas já é um ótimo começo para a criatividade bater à sua porta.

Ao menos foi assim que já fui parar na plateia de uma ópera, no palco de uma apresentação de dança, e em uma viagem que ganhei na promoção de um shopping (por criar uma frase “criativa”).

Ok, não são as experiências mais espetaculares do mundo, mas é inegável que aprendi um bocado com cada uma delas. Pois são situações desconexas como essas, que aos poucos vão abastecer seu repertório de ideias e em algum momento lhe serão muito úteis.

Inspiração! Cadê você, minha filha?

Inspiração é algo bastante subjetivo, mas a ciência afirma que o cérebro faz mais conexões quando você relaciona algo do seu repertório com o problema a ser resolvido. E problema, é certeza, sempre vai ter.

O lado bom é que abastecer o repertório pode partir de atividades prazerosas, divertidas e interessantes.

Vou listar algumas que, para mim, costumam ajudar muito.

  • Viajar. E quem não gosta de viajar? Pode ser a dica mais clichê, mas a variedade de experiências e o aprendizado de novas culturas ajudam e muito a ampliar os horizontes.
  • Ouvir música. Aqui eu terei as minhas preferências, você terá as suas, mas acho bem válido se arriscar a conhecer as novidades e velharias que não são do seu estilo favorito. Aproveita e confere lá minha playlist ;)
  • Saber ouvir. Sabe aquela pessoa que você nunca conversou, por que não tem nada a ver com você? Não precisa virar “best friend”, mas às vezes só de ouvir uma história sobre outra realidade, ou de quebrar um conceito, você já vai perceber que a diversidade ajuda a absorver novas ideias.
  • Curiosidade fora da sua especialidade. Isso estimula bastante o seu cérebro a fazer novas conexões. Por exemplo, minha área de atuação é o design e me surgiu a oportunidade de ir à uma palestra da área de Direito. Alguns tópicos abordados foram: direito autoral, uso de imagens e registro de marcas. Imediatamente relacionei com situações práticas da minha profissão e passei a ver todo o contexto de uma nova perspectiva.
  • Cinema, Museus, Festivais de Música e Espetáculos. Sim, o entretenimento é uma ótima fonte de inspiração, mas o segredo aqui também é arriscar novos estilos. Claro que existe uma chance daquele filme cult, indicado pelo seu amigo, ser um porre. Mas só por ter uma linguagem e uma estética diferente, talvez você preste mais atenção nos detalhes e se questione mais sobre a história. Na pior das hipóteses vai ser um ótimo exercício. E caso curta, uma nova categoria de possibilidades estará pronta para você explorar.
  • Sair da frente do computador e abstrair do celular. Confesso que nem sempre eu consigo mas vale a pena se policiar, você sabe, mesmo que eles sejam seus instrumentos de trabalho é facinho da concentração dispersar. Além disso, para alguns problemas eles não ajudarão muito, o melhor mesmo é tirar alguns intervalos, fazer uma caminhada, tomar um cafezinho. Assim fica mais fácil abstrair do que está desviando a atenção, visualizar o todo do problema e encontrar uma nova ideia. É mais ou menos como certa vez que passei a pé por um caminho que costumava fazer dirigindo. Ao tirar meu foco do trânsito, descobri dois “novos” restaurantes na região e um café super bacana.

As sugestões dessa listinha também podem te ajudar, ou então servir como base para você criar a sua própria.

Todo caso, para mim, ela não é apenas uma listinha, ela será meu guia para continuar a ideia de escrever. São assuntos que eu curto mas que também me desafiam. E na prática, só a prática vai me dizer se escolhi os assuntos certos. Na dúvida, vai que dá certo?

Já a sua ideia, se você ainda não a teve ou se ela ainda está lá no fundo da gaveta, respire fundo, crie coragem, e pense melhor, ela precisa ser colocada em prática para que exista de verdade. Aí sim, é só aproveitar toda a esperança e visão de futuro que ela pode te oferecer.
E não vai dizer que foi por falta de incentivo ;)



Criatividade. Para Saber Mais:
Dica “Lanche Feliz”: Matéria Superinteressante
Dica “Refeição Completa”: Livro Criatividade e Processos de Criação. Ostrower, Fayga ❤
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