Mais uma vez a Finitude

“Finito é o que tem fim e o que tem fim também tem começo”

Hoje recebi a noticia do falecimento de um tio, irmão mais velho de minha mãe. Passei o dia mais sensível.

Minha mãe muito amada era a quarta filha de uma família de imigrantes japoneses que fincaram originalmente suas raízes no interior de São Paulo, na cidade de Guaiçara.

Ela tinha muito orgulho de pertencer a uma família numerosa, dizia com brilho nos olhos que eram como os 10 dedos das mãos, ela e seus 09 irmãos. Minha infância foi povoada pelas histórias da infância e vida de minha mãe e sua familia… cresci testemunhando a idolatria e a admiração que ela sentia por esse irmão… ouvia sempre como ele era inteligente, responsável, em como ajudou a criar os irmãos… “sou palmeirense por causa do meu irmão mais velho” …Com certeza abraçou o magistério por influência desse irmão porque sempre me mostrava uma foto preto e branco onde ele jovem dá aulas para ela e um grupo de crianças … essa e outras passagens permearam toda minha infância, adolescência e vida adulta .

Minha mãe ao contrário de mim sempre foi extrovertida e aberta . Dessas pessoas que fazem amizade e cativam de primeira… Foi professora e com muito orgulho aposentou-se em sala de aula, sem nenhuma licença médica… Mulher de garra, lutou e trabalhou muito em sua jornada com honradez de um samurai… porque ela era descendente de samurais rsrsrs… era uma outra história que contava com muito orgulho.

Apesar de não ter convivido com meu tio ou sua família me senti muito tocada devido ao sentimento que minha mãe nutria por ele e agradeci ternamente várias vezes no decorrer deste dia o fato dela ter partido antes , caso contrário seria um dos dias mais tristes de sua vida… e quiçá no outro plano ela esteja muito feliz em reencontrar e receber mais um irmão querido que foi ao seu encontro (que assim seja) .

e hoje nos deparamos mais uma vez com a finitude da vida… e essa constatação está ficando mais rotineira no nosso dia-a-dia, não que a finitude não nos acompanhe desde a nossa chegada, mas com a chegada da maturidade, perdemos os avós, pais, tios, vizinhos, amigos que nos viram nascer, crescer e tudo mais e com todos eles uma parte de nós morre também…

E com tudo isso só temos certeza que possivelmente nosso passado é maior que o nosso futuro (rs), e com isso vem os inúmeros desejos e ânsias… eu particularmente tenho sentido mais pressa. Um pouco mais de pressa em aprender e entender coisas que ainda não entendo. Mais pressa em aproveitar melhor todos os momentos , mais pressa em ser a inspiração de uma outra mulher. Mais pressa em ser uma pessoa melhor assim como minha mãe foi.

E mesmo sendo clichê, eu repito.. a vida é rara e não devemos desanimar diante das adversidades. Minha mãe não desanimou assim como seus avós não desanimaram mesmo atravessando o mundo por meses em um navio e aqui todos eles construíram nossa família, nossa história (muito pitoresca) e nosso legado.

E hoje um dia foi de saudades.Muitas saudades. Sem pressa.

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