Daquela vez em que eu me apaixonei.

É só um dia como outro qualquer. Você acorda e não tem muitos planos. Você não espera sentir muita coisa. Você possui ciência da dimensão da sua impotência para com o Universo. Mas às vezes, se for o seu dia de sorte, as coisas acontecem. De repente um olhar cruza o seu e bam, você sente como se houvesse sido atingido por um caminhão em chamas. Não foi algo morno, como você está habituado, como você achava que, inevitavelmente, depois de tantas decepções, tudo estava fadado a ser. Você sente a chama queimando dentro de você. Você sente vontade de segurar a sua mão, mas é tomado por um desejo ainda maior de que a pessoa em questão também o queira, que ela anseie por isso o bastante para romper a inércia e tomar a iniciativa. Você começa a prestar atenção nos detalhes da sua feição que passam despercebidos para a maioria das pessoas. Você se aproxima lentamente -parece que você não consegue mais manter o controle, você agora pode até sentir isso fisicamente- algo dentro de você é mais forte e toma as rédeas da situação. Você nota um pequeno sorriso e isso é a sua recompensa. Você não se importa mais em estar vulnerável. Aquele momento, que antes parecia tão trivial, torna-se um lento tecer das mais deleitosas sensações, você nem se lembrava mais, oh, fazia tanto tempo… O silêncio é aconchegante e tranquilizador. É assim que você sabe que real conexão fora estabelecida. Ou um brutal erro fora cometido.