Ed Maia
Ed Maia
Sep 3, 2018 · 6 min read

Como Deus é a Luz dos homens

Quando imagino meus primeiros semelhantes, minha mente viaja como assobia o vento, fico me perguntando, como pensavam eles? A noção do Ser único, superior em capacidades, o mais diferenciado em comparação aos outros entes, ainda sem aparatos, artefatos e manufaturas, será que possuíam isso? O que ocupava as percepções e observações deles, eles mesmos eram os objetos da sua própria meditação e contemplação?

O outro como igual, trouxe a consciência da preservação, e a necessidade de manter a guarda na proteção de si mesmo e dos demais. Sendo reconhecível, dominante e transcendente, os primeiros homens foram mais expansivos e grandiosos do que qualquer outro pelos séculos seguintes, havia entendimento da natureza, dos animais, incluindo a compreensão de si mesmo, fazendo deles sem saberem, o padrão, os modelos, os construtores do que hoje chamamos: sensação, intuição e discernimento.

A descoberta

As primeiras intuições e as sensações discernidas que imagino, ocorreram nos instantes repetitivos da simples virada do dia para a noite, quando eles se entreolhavam, suspiravam ante ao espetáculo, admiravam e se maravilhavam das cores, luz e movimento, e de repente o sol se punha no horizonte e as trevas reduziam a luz, cerrando apagando as cores e restringindo os movimentos, um silêncio estranho e misterioso.

E se não houvesse sensação, intuição e discernimento a respeito dessa ocorrência vivida dia após dia, o que representaria para mim hoje a virada do dia em noite, luz e escuridão, movimento e calmaria? Luz teria a mesma relação com tudo que consideramos ser bom e do bem, no corpo, no espírito e na consciência? A escuridão que é marcada em todos os sentidos e discernimentos como a mais vil decadência e perdição, teria todo esse peso sobre mim?

Luz ou escuridão?

Quando os primeiros humanos na calada das madrugadas em vigilância constante, sussurrando em pavoroso silêncio, como sentinelas desarmados, aflitos aguardando receber o sol, nascendo numa explosão de luzes, raiando no horizonte, acendendo as cores, em movimentos aleatórios do céu ao chão, despertando nas primeiras manhãs, houvessem negligenciado tudo isso e tivessem o deslumbramento pela escuridão em vez da claridade? Como seria hoje?

Destes simples instantes, qual ficou impregnado no inconsciente deles, e que foi transmitido às gerações, como o marco, que a partir do qual convergiu na edificação da humanidade, qual teve maior importância O que mais bruscamente balizou formando a identidade do ser pensador na sensação espaço/tempo, o nascer do sol a cada manhã ou o pôr do sol a cada tarde? Turbilhão de ambiguidades, tanto de ampliação quanto de redução. Eles esperavam com mais ardor, o dia ou a noite?

As Cartas sobre a mesa

A luz amplia, é aberta e expansiva, a escuridão é cerrada e reducionista. esta intuição que lançou os fundamentos na construção dos comportamentos, fossilizando sentimentos no intelecto, incrustando na consciência os pensamentos emergidos, transmitindo à todos as condições concretas da vivência, as cartas foram postas na mesa! Discernimentos de redução e ampliação, mais e menos, maior e menor, cheio e vazio, largo e estreito, inferior e superior, bem e o mal, escuro e claro...

A noite era longa, escura e perigosa, o desconhecido era desconfortante, a ansiedade foi a primeira doença transmissível. O dia era curto, vistoso e atraente, tudo se via. Nas trevas os relacionamentos ficaram reduzidos e restritos, então a luz promoveu as relações estreitadas em laços e afeições infinitas na grande assembleia dos viventes, a maioria dos seres vivos, padronizaram seus comportamentos e hábitos moldados pela luz, a escuridão promoveu a separação das relações, a intolerância ao desconhecido e cunhou a moeda da face escura do ser.

As trevas nunca foram inimigas, mas são a representação mental e espiritual do homem perdido em si mesmo, transmitida desde os primeiros. Ela é a quietude desconfortável, fixação do olhar desconfiado, expectativa ofegante, restrição da locomoção. A escuridão nunca foi aguardada, junto ao seu regaço, é pavoroso saber, que possuir olhos, não significa ter visão, que qualquer sussurro é ameaçador, a escuridão não produz sombras, apenas suspense.

Explorando toda a capacidade dos sentidos, é incrivelmente notório, que está tatuado em alto relevo no íntimo do ser humano, impregnado com todas as forças do seu ser, o medo da escuridão, da virada do dia para noite, da ausência de luz, do outro, dos outros, de estar sendo vigiado, de olhos famintos, de ser emboscado de repente, de ser deixado para trás, de haver sido descoberto, de ser o alvo do predador, a escuridão é o pavor do aniquilamento.

Em quase todas as religiões, filosofias e sistemas de crenças, se exalta a Luz, a Iluminação, a Clareza, a Expansão, a Abertura, o Ver, o Conhecimento, e isso tudo são lampejos, tipos, do que é formado nosso ser consciente, impresso em cada crepúsculo. Foi o medo que busca a segurança e proteção que nos obrigou, receosos da morte, a nos voltarmos incomparavelmente a vastidão impactante do dia, onde construo, trabalho, desenvolvo, crio, invento, conheço, e amplio as relações.

O medo

Das primeiras coisas que os homens dominaram, foi o fogo, fonte de luz e calor, dos primeiros deuses adorados, foi o sol, fonte de calor e luz, dormimos descansando a noite, e durante o dia permanecemos acordados. Todavia, o fogo queima ao se tocar, a luz do sol nos cega ao se olhar, somos fascinados pelo dia e pela claridade, por isso descansamos e dormimos cada vez menos, e iluminamos artificialmente os ambientes ao nosso redor, sabotando a escuridão da noite. Medo e necessidades, que serão resolvidas com esclarecimento.

Há um medo coerente do fogo, há um medo coerente de olhar para o sol, há um medo coerente de dormir à noite inteira. Aquilo que é da luz e visível causa conforto e segurança a alma, ao espírito, mas não é prudente se achegar tanto, a aproximação das fontes da luz é perigosa, adoramos a luz mas não podemos por razões óbvias ousar tocá-la ou olhar diretamente para ela, nos aconchegamos a penumbra, que é o ponto de equilíbrio que mantém distância, sem comprometimentos.

O que pensar sobre o Criador que nos é revelado como Luz no sentido de total percepção espiritual, revelação transcendental e iluminação da alma, que se abre, se expande e acende tudo? Profundamente, impregnado por esse medo físico e espiritual, aflorou ao mesmo tempo a resistência incoerente na aproximação a Deus. Porém, esse pensamento precisa ser transformado, e ir além do ambiente natural e transcender, pois não é questão de tocar ou olhar e a viver perto de Deus, como se fosse possível fisicamente, mas sim, a proximidade de ser como, ser igual, ser semelhante ao Fogo, a Luz, que não se prendem e se encerram em si mesmos.

Estes conceitos espirituais transformam o mundo físico material, pois desde o princípio, as trevas são infernais, a aproximação à luz de igual modo, ambas são antagônicas, mas no mesmo nível, incomodando os homens, melhor ficar nas sombras. Alguém possui elevada humanidade de acender a escuridão deste mundo, com esclarecimento, desobstruindo a ignorância e trazendo humildade? Alguém quer conhecer ou buscar a fonte dessa luz primordial? A viração do dia é um excelente momento para se meditar em tudo isso.

Deus é Luz

Em um instante houve luz nas trevas, se havia escuridão, não havia expansão, abertura, perspectivas, o nada não havia, mas era uma incomensurável redução compacta. Assim, a Luz sendo um modelo do Criador, a força motriz da invenção da existência, propagação, e o tempo, é tão perfeita, quanto foram completa as trevas. Na plena escuridão Ele era, mas nunca visto, estava, mas como se não estivesse. Ele o sentido exato do Amor, esclarecedor, doador e expansivo. Então disse: haja luz!

Na prática, expandir, abrir e esclarecer é como amar graciosamente, é como ser acolhedor e compassivo, é como fluir em conhecimento de sabedoria. Já reduzir, cerrar e restringir é como odiar, destruir, é se enclausurar para si próprio, é levantar montanhas de egoísmos, promovendo ignorância e estupidez. Portanto, nada mais óbvio dizer ser Deus a Luz dos homens, porque Ele é o Amor, a Paz, a Verdade, o Conhecimento, a Sabedoria, a Justiça, e a salvação Dele à nós, é dar-se a ser conhecido, tanto que expandiu suas virtudes a mim, abrindo o Caminho reto a seguir, esclarecendo e pacificando meu coração.

advedmaia@gmail.com

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