Nota de Repúdio à Administração do grupo da Unicamp no Facebook

Partindo do pressuposto que a Universidade é um espaço onde a liberdade de expressão é essencial, venho por meio desta demonstrar o meu profundo repúdio à administração do grupo da Unicamp no Facebook.

Sou aluno da universidade desde 2015, mas já participava do grupo desde quando almejava uma vaga para estudar. O grupo no Facebook é o principal meio de comunicação dos alunos, comunidade acadêmica, aspirantes a uma vaga e outros interessados no dia-a-dia da universidade. São feitas postagens diariamente sobre diversos assuntos: pertences perdidos, dicas aos motoristas desavisados, festas, alerta sobre furtos/assaltos, adoção de animais, greves de ônibus/professores, dentre outros.

Sendo assim é mais do que evidente o caráter de utilidade pública do grupo, seja a pessoa ligada diretamente a universidade ou moradora das proximidades.


Sobre os recentes escândalos de compra de influenciadores digitais

Na noite deste último sábado, dia 25 de agosto, diversas pessoas divulgaram no twitter uma sondagem de influenciadores digitais por parte de agências, tendo o objetivo de fazer ações de militância política de esquerda, sempre com uma data e um conteúdo em comum, sendo o deste sábado uma postagem sobre Wellington Dias, candidato a governador do Piauí, que subitamente ficou conhecido em todo o país sendo o quarto termo mais citado no twitter na madrugada deste domingo.

O que diabos isso tem a ver com a Unicamp?

Aparentemente uma das pautas utilizava de exemplo o tweet de uma pessoa muito conhecida por todos que frequentam o grupo da Unicamp

Enquanto eu fazia essa nota o acesso ao arquivo original foi revogado, visto que era um link público e provavelmente o link original para o briefing.

Tweet citado no documento http://archive.is/2bDfB
Tweet agora deletado: http://archive.is/l9KDN

Graças a rosana hermann e ao cache da Google obtive acesso ao briefing referente ao Wellington Dias, tão reconhecido em cadeia nacional que nem o nome teve escrito corretamente.


Sobre as re-postagens de tweets no Grupo da Unicamp

As fotos e a @ foram substituídas para evitar problemas legais e exposição demasiada.

Em meados de junho, nas proximidades dos exames finais quase todo dia minha linha do tempo do Facebook era agraciada com prints da pessoa supracitada postados por uma terceira pessoa(que tratarei a partir daqui como Spammer) que aparentemente não tem vínculo nenhum com a Unicamp. As postagens do Spammer eram quase que sempre fazendo chacota com o judiciário, com o governo atual, coxinhas ou exaltando governos anteriores, até aí não há problema, cada um tem mais do que o direito de ter os seus pontos de vista e de poder expressá-los.

Tal insistência nas postagens rendeu além do título de Puxador de Conversa, diversas sátiras e comentários ironizando a relação entre o Spammer e a pessoa que ele postava os tweets:

Nome das pessoas que comentaram e o sobrenome da usuária foram obfuscados para evitar exposição demasiada

A relação entre eles é tão notória que quando o Spammer postava algum conteúdo diferente era prontamente questionado sobre a outra pessoa:


Sobre a minha exclusão do Grupo da Unicamp

Com a evidente liberdade de se fazer postagens repetidas, cheias de sarcasmos e posicionamentos políticos me senti mais do que à vontade para satirizar uma destas postagens, ironizando o fato da dupla sempre penetrar (não só) na minha linha do tempo do Facebook:

Visto que após essa minha postagem além de expulso do grupo, fui impedido de ver as suas publicações, é incontestável a desproporcionalidade com que a administração do grupo trata as postagens. Como o grupo não tem regras explícitas é notória a ausência de critérios objetivos para expulsar as pessoas. Já faz quase dois meses da minha expulsão e mesmo com a manifestação de vários colegas e até de desconhecidos no grupo, sigo banido, sem sequer uma explicação.

Uma pessoa aleatória que aparentemente não tem vínculos com a Unicamp, morador de outro estado, pode satirizar, ironizar, escrever o que quer que seja e citar outrem sem ter sua liberdade restringida. Um aluno, morador dos entornos, que tem pleno interesse em participar do grupo para se informar das dinâmicas que ocorrem na vida acadêmica tem a sua liberdade cerceada.

A intenção deste texto não é expor nenhuma pessoa e sim apresentar a incongruência existente não só na administração do grupo da Unicamp, mas aparentemente em todo o meio acadêmico, haja vista a ausência de bibliografias . Hoje eu tenho a minha liberdade cerceada, amanhã pode ser a sua.

Importante salientar que as imagens foram editadas somente para tentar proteger os envolvidos de uma exposição maior, o intuito aqui é mostrar como opiniões divergentes e sátiras não são toleradas no grupo da Unicamp enquanto é feita vista grossa à postagens potencialmente questionáveis.


Mais informações sobre o escândalo de compra de influenciadores:

  1. Thread Original no Twitter sobre o escândalo: http://archive.is/cX077
  2. Diversos prints: http://archive.is/UKaPg https://imgur.com/a/L36gsLL
  3. Mais críticas: http://archive.fo/BWu9G
  4. Higienização Digital ocorrendo enquanto escrevo essa postagem: https://twitter.com/diegoescosteguy/status/1033876376129097729
  5. Matéria do O Globo sobre a propaganda irregular: https://oglobo.globo.com/brasil/pt-acusado-de-fazer-propaganda-irregular-na-internet-23013104

OBS: Recomendo fortemente essa leitura de Rafael B. de Oliveira sobre A Universidade e a Liberdade de Expressão.

OBS2: Obrigado a todos que se manifestaram contra a minha expulsão #FreeAndreyCampassi