Como o Bayern de Munique desenvolve a formação de seus jovens atletas – O que podemos aprender com isso.

Nesta série de conteúdo desenvolvido pela Academia de Futebol Guerreiros Corais sobre a formação de atletas no qual visou estudar o cenário Europeu e avaliar alguns casos pontais e encerramos com o estudo do Bayern de Munique. É sempre bom reforçar, as diferenças são claras e o cenário não permite desenvolver algo igual aos respectivos clubes citados, mas temos muito a aprender. Para termos excelentes atletas em 2024 o trabalho precisa ser iniciado, avaliado e otimizado periodicamente e o quanto antes. Este é intuito da Academia de Futebol oficial do Santa Cruz. Queremos ser o celeiro de craques no Nordeste Brasileiro.

“Com a nossa Academia de jovens nós construímos o futuro do clube. Nós compartilhamos nossa paixão e tradição no futebol. Bayern sempre contratará estrelas mundiais vindos de outros clubes, mas nós queremos sempre jogadores vindos da base por causa da total identidade com o clube.” Rummenigge, Ex-presidente do Bayern.

Esta frase dita por um ídolo do clube e que ocupou o mais alto cargo político do clube tem um significado abissal, principalmente sabendo o tamanho e poder financeiro dos Bávaros. Não basta bons jogadores, a identificação com o clube faz diferença.

Além da identificação já citada acima, outros três elementos são chaves para o Bayern. Personalidade, Educação e Resultados são as palavras fundamentais. O primeiro elemento é que o Bayern parte da premissa que é um ator importante para a formação da personalidade dos seus atletas. Não estão falando apenas de atletas, mas jovens integrais.

O segundo elemento é simples e dito em diversos espaço que é “Educação é fundamental”. Algo aparentemente clichê, mas quando trazido para ser um dos pilares do clube, muda-se o patamar de importância. O elemento do resultado, citado acima traz o pragmatismo alemão. Eles acreditam que “Jogadores + Especialistas + Continuidade = Resultados”. Resumo eficiente do que acreditam. Não falam em talento, mas falam em profissionais competentes tendo trabalho contínuo.

O clube propõe jogar com um estilo eficiente caracterizado pela disciplina, com a defesa realizada de forma vigorosa e o ataque ao espaço. Para os treinadores é essencial desenvolver o espírito do Bayern baseado no infalível e incondicional compromisso para com a equipe.

Não apenas nos momentos de glória, mas principalmente nos momentos de dificuldade. E para estimular esse tipo de perfil nos atletas desde jovens, 6 das 11 categorias jogam regularmente com equipes dois anos mais velhas para gerar uma demanda maior física e psicológica.


Algo muito interessante no clube Bávaro é a questão de alojamento e educação. Para se ter uma ideia, o clube aloja apenas 13 atletas. Para os padrões brasileiros este número é extremamente diminuto e gera uma indagação sobre o motivo para isso e como podem ter resultados desta forma. Porém, o pensamento do clube pode ser totalmente compreendido pela frase do diretor das categorias de base do clube que afirmou

“Nós não podemos prometer aos pais que o filho deles serão um jogador profissional do Bayern de Munique, mas podemos prometer que não seremos negligentes com os estudos deles”.

Para compreender como o clube leva tão a sério este aspecto – que está nos pilares principais da base -, mesmo com apenas 13 atletas alojados, são disponibilizados 6 professores para acompanhar o desenvolvimento escolar dos atletas.

O que aprendemos e usamos:


Identificação com o clube, foco em educação e continuidade dos trabalhos são palavras fundamentais que precisamos – e podemos – aprender com o Bayern.

No segundo texto desta série, avaliamos as habilidades requeridas pelos clubes Europeus e falamos sobre a pesquisa que desenvolvemos junto com o torcedor. A identificação com o clube apareceu de forma muito marcante. O atleta precisa saber o que é o Santa. Precisa viver o Santa e ter orgulho disso. Atletas com Grafite, João Paulo, Danny Moraes são extremamente valorizados pelo clube não só pelo que fizeram ou ainda fazem dentro de campo, mas principalmente por ter essa postura de honrar o clube. Nenhum dos citados acima são “cria” do Santa, mas já houveram diversos atletas que levaram a identificação com o clube muito a sério para, em alguns casos até suprir o desempenho técnico aquém do ideal.

A torcida valorizou diversos atletas que ajudaram o clube a se reerguer da Série D, principalmente pela entrega dentro de campo. Valorizar a camisa que vestia. Nossos atletas, em todas as cidades e bairros do Recife onde temos unidade treinam com a camisa oficial do clube. Precisam sentir o peso da camisa. Saber que representam um clube gigante. Um clube com história, tradição e torcida. Muitos deles demonstram em todos os treinos o orgulho que possuem de vestir o manto Coral.

No aspecto da educação é fundamental termos em mente que estamos trabalhando com crianças e jovens e que a maioria deles não se tornarão jogadores profissionais. Pesquisas apontam que apenas 1 a cada 3000 crianças que tentam conseguem se tornar jogador profissional. E 70% dos que conseguem recebem um salário abaixo de três salários mínimos. O futebol é o sonho de muitos jovens para ter ascensão social, mas precisamos mostrar que não é o único. É necessário mostrar que a educação é o caminho mais importante para os jovens. Até para que os que se tornarão atletas.

Para isso, como apresentamos no quarto artigo dessa série, sobre o Arsenal, estamos desenvolvendo três formas - além da cobrança dos boletins escolares – para estimular isso. Colônia de férias relacionado com profissões do futebol (Treinador, nutricionista, preparador físico, médico, Marketing, comunicação, Financeiro, entre outros) para as crianças. Palestras online sobre habilidades da vida e os Guerreiros do bem no qual os jovens precisam ser protagonistas na sociedade e realizar melhorias para crianças em situação de vulnerabilidade ou benfeitorias na cidade. Precisam saber que educação não é só ir para escola, mas saber a importância do aprender.

O terceiro ponto que desenvolvemos é continuidade em unidades descentralizadas. Precisamos permitir que o atleta passe mais tempo no convívio familiar e dos amigos. Não devemos exagerar no alojamento de atletas tão jovens desde muito cedo. Precisamos desenvolve-los em suas cidades de residência. E as palavras para que isso ocorra corretamente são especialistas e continuidade de trabalho. Em todas as nossas unidades temos profissionais formados em Educação Física para desenvolver os trabalhos junto as crianças e jovens e possuem constantemente estímulos para ler, assistir, ouvir e debater sobre futebol e a formação de atletas.

Este texto encerrou essa série de conteúdos sobre “O que podemos aprender com os clubes Europeus”. Gostaram? Querem saber mais alguma coisa sobre os Guerreiros Corais? Diz para a gente. Fazemos questão de ter o torcedor próximo da gente!

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