Uma gaiola vazia

Quando criança, meu contato com animais de estimação sempre foram pássaros. Mas com o passar dos anos percebi que o lugar deles não era em uma gaiola. Então, após um longo hiato de relação com animais, passei (por influência de minha esposa) a me dedicar aos cães, um contato realmente mais próximo.

Mas a vida guarda suas surpresas. Num belo dia presenciamos um atropelamento de um periquito e achamos por bem resgatá-lo. Seguindo orientações de veterinários esse pássaro não poderia ser solto, pois não sendo silvestre ele não saberia caçar. Voltamos ao dilema da gaiola. Soltamos para uma breve jornada ou mantemos por um período maior, mas enclausurado? Optamos por dar uma sobrevida a ele.

Com o tempo nos apegamos a esse pequeno animal batizado de Zico (com suas penas amarelas, uma alusão ao craque do futebol e da seleção ‘canarinho’). Para amenizar sua prisão dosamos uma boa alimentação, atenção e eventuais acompanhamentos veterinários.

O que não contávamos era com sua extrema fragilidade, e em um infeliz amanhecer o encontrarmos sem vida. Apesar do curto período em que passou com a gente cria-se um afeto, um respeito pela vida. Não há como não sofrer sem ouvir o seu canto, ao ver agora a gaiola vazia, ela que serviu como sua prisão mas ao mesmo tempo foi a que nos aproximou.

A ligação entre homens e animais é algo belo. Somos todos partes de um mesmo mundo, da mesma natureza e o que mudam são apenas as formas de ver e viver a vida. Mas a essência nos mantém iguais e no fundo todos temos a inocência dos animais, ou deveríamos ter.