ENTREVISTA PORTAL DA FOZ • Tive um encontro com Deus

Via www.portaldafoz.com.br

67ª SESSÃO ORDINÁRIA | Crédito: Davi Spuldaro/CVI.

O vereador Afonso Arruda (PMDB) recebeu o Portal da Foz em seu gabinete na noite desta terça-feira e falou sobre seu retorno ao Poder Legislativo de Itajaí, seu pronunciamento emocionado, o pedido de desculpas aos seus pares, o discurso lido sobre a presunção de inocência, o protesto dos vereadores que se retiram da sessão, e esclareceu a revelação impressionante de que tentou se matar quando estava preso.

Seu pronunciamento foi bastante emocionado…

Não é fácil passar pelo o que eu estou passando. Eu voltei pra cumprir o tempo que resta do meu mandato e tentar fazer alguma coisa [projetos] na área social. O que eu vi e vivi lá dentro transformou a minha vida; uma experiência dolorosa, estranha.

O senhor pensou em tirar sua própria vida? Sim. Lá dentro [do complexo Penitenciário da Canhanduba] eu vivi os 25 piores dias da minha vida. E eu tive um encontro com Deus. É complicado dizer isso, mas eu ouvi Ele falar comigo. E só me apegando a Deus que eu consegui tirar essa ideia da cabeça e passar pelo o que estou passando. [O desejo de tirar a própria vida aconteceu quando? No primeiro dia…] Não, no sétimo. No sétimo dia eu pensei muito nisso, mas me apeguei a Deus.

Qual o sentimento que mais lhe afligia?

Injustiça. Eu vou te dizer uma coisa, eu fiz questão de tirar [expedir] uma certidão de antecedentes criminais e não existe UMA condenação contra mim. Tenho 52 anos, 22 de serviço público e nenhum processo.

Alguns vereadores se retiraram da sessão em protesto* ao senhor e seu retorno à Câmara, por o senhor ter sido preso, estar sendo investigado. Qual sua opinião sobre isso? Respeito o direito deles de se manifestarem, e respeito todas as manifestações. O que me causa estranheza é que dos 4 que saíram, 2 são advogados e um é professor. Eles sabem que ainda não fui denunciado, processado, julgado…

O senhor é inocente?

Completamente. E eu defendo que todos sejam investigados, mas eu estou tranquilo.

Não lhe preocupa as provas que possam apresentar contra o senhor? Não, porque não há nada contra mim. Nem mesmo escutas telefônicas. A única escuta sobre mim e pelo qual vieram [o GAECO] ao meu gabinete antes de eu ser preso foi por causa de uma conversa com o chefe de gabinete do prefeito. E aqui eles queriam encontrar o processo das florzinhas. E se apresentarem provas eu poderei rebatê-las, e o farei.

Teme ser condenado e cassado? Pela imprensa eu já fui condenado. Já disseram que eu tenho avião, barco. Eu quero saber onde está meu avião. Quando eu achar vou te convidar pra uma volta de avião. Agora, pra eu ser cassado tem que existir um processo, uma denúncia. E seria um processo político.

Mas o senhor pensa em não ser denunciado pela justiça?

Serei indiciado, com certeza. Isso é certo. Mas aí eu poderei me defender, porque até agora eu não pude.

Tentará a reeleição? Não. Nem pra porteiro de zona eu me elejo mais. Vou tentar terminar o meu mandato e fazer o máximo pelo social.

O senhor tem cargos na prefeitura, no governo Jandir Bellini (PP)? Não. Nenhum cargo. O único que eu tinha eu passei pro [vereador Laudelino] Lamim (PMDB), naquele rolo com o [falecido vereador] Elói.

Quais seus planos para o futuro?

Eu quero viver pra Deus. Já conversei com minha família, e vou me dedicar ao próximo. Tem outras formas de contribuir sem ser na política.

Se arrepende de ter entrado pra vida pública? Muito. Me arrependo demais. É muita hipocrisia e o trabalho é pouco produtivo.

Com qual frase o senhor resumiria tudo o que lhe aconteceu?

Deus quer falar com você.

*Os quatros vereadores da oposição, Thiago Morastoni e Giovanni Felix, ambos do PT, e os do PSDB, Anna Carolina e Acácio da Rocha, se ausentaram da sessão em protesto, repetindo o gesto feito na posse do suplente Sadi Pires (PMDB).

Leia a entrevista no site do Portal da Foz: http://ow.ly/TGNxQ

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