Conto (quase) de fadas

Eu não quero ter recaídas de você, mas elas acontecem todos os dias. Eu sei que você aparece na minha cabeça e depois tudo volta. Mas você volta principalmente de noite quando eu deito na minha cama e tento esvaziar a cabeça para dormir, então eu lembro que antes de ser descartável para você eu era sua prioridade, você movia rios e montanhas só para poder falar comigo, agora você me vem com um “Tô ocupado, não posso falar” disfarçado de “Não quero falar”. E então eu choro e te odeio. Até eu te ver. Porque quando eu te vejo, por mais receosa que esteja, meu coração amolece com esse seu sorriso bobo e eu já fico boba por você de novo.

Eu odeio o fato de toda vez que eu te vejo eu tenho recaída, e o que acontece? Você me trata bem e eu vou atrás de você e recebo um tratamento completamente diferente do que recebi há algumas horas. Eu odeio o fato de que mesmo depois de tudo isso eu ainda gosto de você da mesma forma de sempre. Você vive me falando “Somos amigos, somos amigos”, mas, desculpa, não te vejo assim. Eu fico muito sentida quando você diz isso e sempre que lembro dessas palavras já começo a ver tudo borrado.

Sempre me falaram que pra esquecer aquele amor outro entrará no lugar, mas eu particularmente não acredito nisso. Sempre acreditei que duas pessoas são destinadas a outra. Não sei porque acredito nisso, deve ser porque é bonito e tal, sim, isso pode ser um dos motivos, mas eu simplesmente não consigo explicar. É como uma crença. Não conseguimos explicar o porque acreditamos nela. Eu sou muito devota dessa coisinha chamada destino. Eu sempre acreditei que duas pessoas são destinadas uma a outra, como na música “Exagerado” do Cazuza em que ele diz “Amor da minha daqui até a eternidade, nossos caminhos foram traçados na maternidade” sim eu acredito nisso. Porque duas pessoas não se conhecem sem motivo, tudo tem motivo, principalmente se essas duas pessoas se “entenderam” logo de cara e tiveram uma história.

Você pode negar até a sua morte, mas tivemos sim uma história, mas em algum momento você decidiu que essa garota de vinte anos era descartável e não quis mais saber dela. Mesmo ela tendo te dado o coração dela e silenciado os olhos dela. Você pode não ler isso até o final, mas aí você iria estar mentindo ao falar que gosta de ler as coisas que eu escrevo. Vá em frente, pode fazer, eu nunca vou saber mesmo. Qual é o problema? Nenhum. Isso vai ficar com você.

Se você continuou, então vamos lá. Para mim essa coisa de destino sempre foi só em filme, sabe, quando eu me imagino adulta com o meu filho eu não me imagino com você nem com qualquer outro cara, eu só consigo me imaginar sozinha com o meu filho. Estranho, né? Para uma pessoa tão “romântica” como eu, não conseguir ver um futuro com outra pessoa. Só que com você eu via. Na verdade, eu me via com você. Mesmo que a gente vivesse numa quitinete, eu juro que eu ia, sim, estar feliz. Mas todo esse sentimento não bastou pra você. Porque pra mim só de estar com você estava bom. E sabe? Eu não me arrependo de nada. Eu sempre pensei “Foda-se, eu curti o momento”, mas agora eu penso se não curti demais e me deixei levar.

Não, eu não vou falar que foi você quem começou tudo. Já deu, cansei de falar disso. Eu só acho que eu posso ter sido ingênua demais a seu respeito. Eu não sei quem você queria que eu visse, mas você me mostrou a versão mais linda de você e é nela que eu quero acreditar quando penso em você. Não quero pensar que você é um canalha mulherengo, não. Eu já te disse mais de mil vezes que você é uma pessoa maravilhosa. A mais maravilhosa que eu conheço. E mesmo você teimando eu dizer que somos amigos, eu não te vejo assim. Mas o que uma menina de vinte anos sabe da vida, não é mesmo? Vamos deixar ela acreditar em contos de fadas.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.