O Medo de Amar

(Em algum lugar do 3º Médio, em 2015)

“Eu conheci uma pessoa que eu queria muito conhecer. Eu. Eu gosto muito de mim, com marido ou não.”

Poderia contar essa história como se não fosse minha, mas todo mundo tem o seu medo e vou assumir o meu. Tenho medo de amar, parece doido, mas tenho medo de amar e me envolver com alguém. Quando vejo alguém namorando, fico logo sufocada e penso logo que esses jovens casais estão perdendo. Sempre achei que esses casais que estão com um sorriso enorme no rosto exibindo felicidade, são os casais mais falsos do mundo, que só se preocupam com as aparências e que estão procurando o que exibem.

Se eu parar para pensar, sempre fui aquela garota romântica que acreditava no “felizes para sempre”. Até meu primeiro amor. Fui magoada e nunca mais quis nada com ninguém. As lágrimas que desperdicei foras as últimas, coisa mais humilhante que já me aconteceu. Foi nesse momento que entendi que não existe nenhum Jack Dawson (personagem do Leonardo DiCaprio do filme “Titanic”) disfarçados por aí.

Meus dias passaram a ser céticos, sempre rindo e tendo dó desses cais ingênuos. Até que um dia, na aula, o tópico “amor” aparece, não sei porque, e alguém diz: “O amor não existe.”, tendo como resposta do professor: “Existe sim, já faz 30 anos que eu amo a minha mulher.”, foi uma coisa que me fez pensar e lembrar dos meus pais.

Nessa época decidi me abrir mais e acabei conhecendo um rapaz. Ele foi diferente no início e logo começamos a namorar. Claro que no começo tudo é lindo, mas depois ele foi se tornando cada vez mais possessivo, o que não me agradou em nada, o Jack Dawson com quem sempre sonhei tinha sumido para se tornar o personagem do Alex de “Verdades Secretas”. Tentei que aquilo desse certo, mas tudo o que eu fazia estava errado e sempre brigávamos.

Um dia aquilo acabou me esgotando e descumpri minha promessa, mais uma vez derramei lágrimas por alguém. Certamente aquilo não estava dando certo e decidi colocar um ponto final nisso. Porém tinha medo de sua reação, sempre fora explosivo. Não consegui encontrá-lo, então tentei ligar, escolhi o modo mais frio para fazê-lo, mas, como disse antes, tinha medo dele. Quando lhe disse tudo o que precisava ele gritou comigo e xingou, mas não mudei de opinião, terminei algo que não daria certo.

Não me arrependo desse relacionamento, porque sempre aprendi com os acontecimentos, principalmente com esse que me fez perceber que não existe aquele romance idealizado, e que não precisamos de alguém para ser feliz. Uma pessoa só consegue ser feliz com alguém quando já está feliz com ela mesma.

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