Resenha Crítica: “Americanah”

Capa brasileira — Companhia das Letras

O meu primeiro contato com o livro “Americanah” foi quando estava passando pela minha timeline do Facebook, um tanto entediada e me deparei com uma publicação que levava á um artigo com o título: “10 livros que todas as mulheres deveriam ler” e quando abri, passei os olhos rapidamente por todos eles, confesso que não me lembro de quase nenhum, mas foi aí que me deparei com “Americanah”. Acho que o que mais interessou no livro foi o fato da autora não ser americana, apesar de eu gostar muitos dos escritores americanos, eles realmente têm ótimas histórias e escritas, suas histórias acabam ficando um pouco repetitiva, por isso devo ter ficado tão interessada em uma autora africana. Depois que li a opinião do autor do artigo fiquei cada vez mais curiosa a respeito do livro e pesquisei mais, porém não comprei. A compra do livro foi acontecer apenas alguns meses depois quando fui a uma livraria e o livro literalmente apareceu na minha frente, foi aí que me lembrei dele e o comprei. A pergunta é: por que eu não o comprei antes? É um livro MARAVILHOSO! A autora Chimamanda Ngozi Adichie é uma autora nigeriana que tem uma escrita incrível, enquanto lia sua história parecia que eu já conhecia Lagos e a Nigéria, locais em que a história se passa.

Chimamanda Ngozi Adichie

O livro conta a história de Ifemelu, uma garota nigeriana que tem toda a sua vida mudada quando vai estudar nos Estados Unidos em busca de uma vida melhor — é narrado com muita clareza a situação de guerra que a Nigéria vive nos anos 90, a situação militar, como as pessoas de baixa classe eram prejudicadas com isso, além das greves universitárias que viviam acontecendo no país, não posso negar que me fez lembrar um pouco daqui. Enquanto Ifemelu vive em um país diferente ela descreve como os afro-americanos e os imigrantes africanos são tratados, um tópico abordado que muitas pessoas, inclusive eu, nunca sequer devem ter pensado. O livro é muito político nessa questão, já que a Chimamanda vai narrando a história de maneira cronológica, até chegar no momento em que Obama vence as eleições prisidenciais nos Estados Unidos e descrevendo como os afros-americanos e também os não americanos se sentiram naquela ocasião histórica. Uma parte que me marcou muito nesse livro foi quando o Dike, primo da protagonista, diz para ela: “Eu não acredito que o presidente é negro que nem eu!” ou também: “Uau! Eu nunca vi tanta gente negra junta!”, ele diz quando vai visitá-la na África. Particularmente esses momentos foram muito forte para mim no livro, porque, como já disse antes, a gente não para pra pensar nessas coisas no nosso dia a dia, são coisas que são muito banais.

Capa americana

Tirando essa parte política, é claro que a Chimamanda coloca uma pitada de romance em sua história. Primeiro Ifemelu fala do seu primeiro amor Obinze, que depois de alguns problemas pessoais ela acaba por se afastar dele, prologando por anos essa história inacabada entre eles, além de descrever como é uma garota negra africana namorar um homem branco de classe média alta e como a sociedade reage a isso. Outro tópico abordado que me pegou de surpresa, a gente nunca acha que tem problema o amor entre as pessoas, qualquer que seja a situação, mas conforme a personagem narra seu relacionamento com o namorado branco ela diz que as meninas brancas a olhavam com inveja ou até torciam o nariz para ela. O que também achei significativo foi quando a autora relatou o mundo editorial na história, mostrando o quanto as revistas mostravam dicas de beleza apenas para mulheres brancas, fazendo com que a personagem fosse em busca de suas raízes mesmo que em outro país. Além da narrativa de Ifemelu, é possível saber mais do que se aconteceu com Obinze pouco depois que ela foi embora. Ele narra toda uma vida de imigração no centro de Londres, como é toda aquela vida dos imigrantes que vemos nos jornais e como os imigrantes podem ser tão maltratados quando são deportados. No geral, o livro pode ser considerado tão humano quanto real. Toda a história é narrada entre Nigéria, Estados Unidos e Inglaterra e enquanto você lê parece que você já conhece cada um dos lugares narrados.

O que mais chamou a minha atenção e o que eu gostei muito, foi que a protagonista narrava boa parte da história enquanto estava em algum lugar na cidade de Nova York trançando seus cabelos, falando de como aquilo era em seu país e como ali tudo podia ser considerado tão diferente. Isso mostra muito a cultura de um povo e foi por isso que gostei tanto de ter lido esse livro. Antes de ler “Americanah” eu não sabia nada da cultura africana, era completamente ignorante a respeito e pude aprender muito com ele. Esse livro foi um livro me que eu posso dizer que me fez pensar. E muito. Sempre que eu parava para fazer algo, eu me pegava pensando na história, eu simplesmente não conseguia parar de ler. Eu realmente posso falar que a Chimamanda é uma das minhas autoras favoritas.

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