As mulheres que a repressão matou


O terceiro volume do Relatório da Comissão Nacional da Verdade trás os nomes dos mortos e desaparecidos durante a Ditadura Militar. Entre eles estão as mulheres que morreram pela repressão.


Criada em maio de 2012 para apurar as violações aos direitos humanos ocorridas durante o período que antecedeu o golpe militar até a abertura política, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) disponibiliza três relatórios que reúnem o resultado das investigações. O objetivo da comissão foi resgatar a memória das pessoas desaparecidas e torturadas durante a Ditadura Militar e esclarecer as circunstâncias destes fatos que, em muitos casos, eram desconhecidos até então.

O volume III do Relatório da CNV trás um apanhado de 434 mortos e desaparecidos políticos no Brasil e no exterior de 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988. Nele temos acesso às versões oficiais divulgadas na época dos ocorridos e os resultados das investigações realizadas nos dois anos de atuação da Comissão, que encerrou suas atividades em dezembro do ano passado.

Para reunir as informações de cada caso a Comissão reuniu documentos oficiais, colheu depoimentos de amigos e familiares de cada vítima e contou também com o auxilio de comissões especializadas no tema, como a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e as comissões estaduais de reparação.

Algumas das mulheres citadas nessa reportagem

As mulheres são minoria entre os mortos pelos orgãos da ditadura. Entretanto, muitas mulheres desempenharam papéis de destaque na resistência ao golpe, estando ou não envolvidas com luta armada. Além disso, ao serem detidas pelo regime, as torturas e as punições atingiam níveis muito maiores de crueldade, envolvendo estupros coletivos e mutilações genitais.

O infográfico abaixo reuniu 33 mulheres que constam no Relatório de Mortos e Desaparecidos Políticos e que morreram no território brasileiro:

*As mortes apontadas no infográfico são, em muitos casos, a causa mais provável de acordo com todas as evidências investigadas durante a CNV. Já que algumas delas nunca foram 100% comprovadas e muitas famílias nunca receberam os restos mortais destas mulheres.

Acesse o relatório completo aqui: http://goo.gl/BvEzc0

Reportagem: Ágatha Donini e Nathalia Gomes