As sete artes liberais (Reprodução)

O Pentavium da educação

Proposta pedagógica da Universidade Federal do Sul da Bahia recupera ideia de formação ampla das Academias feudais, atentando para as exigências da contemporaneidade

Roberta Nunes (Fapemig)

pela Agência RMCC

Na Idade Média, as universidades organizavam-se pelas sete artes liberais: trivium (lógica, gramática, retórica) e quadrivium (aritmética, música, geometria, astronomia). No cenário contemporâneo, são cinco as demandas para a Academia, defendeu em conferência na 68º Reunião Anual da SBPC, o reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Naomar de Almeida Filho. O pentavium é composto por letramento digital, comunicação, habilidade para pesquisa, competências pedagógicas, sensibilidade e escuta. E para contemplar tais exigências, a aposta da UFSB é o Ensino Integrado que privilegia conexões em vez de fragmentos.

Reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Naomar de Almeida Filho

A formação na UFSB tem uma perspectiva interdisciplinar, interprofissional e visando práticas integradas. O principal eixo é o bacharelado interdisciplinar, no qual os estudantes fazem um primeiro ciclo unificado, escolhendo já depois do primeiro contato com o ensino superior os módulos que pretendem cursar. “A função não é formar profissionais para o mercado de trabalho. É um título universitário, mas não é uma formação profissional, não vincula os conceitos regionais, mas toda a atividade que não exija a formação legal podem ser exercidas pelo egresso do bacharelado interdisciplinar, exemplo disso são os concursos públicos”, acrescenta.

O uso das tecnologias digitais, dispositivos virtuais de aprendizagem, tecnologias de interface digital, dispositivos multimídias, games, sites, blogs, redes, simuladores, meios interativos de comunicação, além de ambientes virtuais de aprendizagem, são alguns dos aliados para esse modelo de ensino. Mas para consolidar um projeto pedagógico tão inovador, a UFSB enfrenta um desafio, compartilhado por outras universidades brasileiras: a fixação de docentes titulados e qualificados em áreas remotas.

Levar essa discussão para a SBPC proporcionou a professores de universidades de outros Estados entenderem o modelo da UFSB. A plateia questionou sobre como se dá a relação entre professores de áreas distintas, sobre a possibilidade de implementar o modelo em outras instituições, os desafios enfrentados e o cenário do mercado de trabalho para os estudantes. Em clima de bate-papo, cada um foi compartilhando sua experiência e o quão rica tem sido essa construção em conjunto, já que a UFSB tem dois anos de existência.

Fotos: Roberta Nunes (Fapemig)

Para Cleane Rodrigues Andrade, graduada em Farmácia e estudante do Colégio Universitário de Itamaraju, vinculado à UFSB, o diálogo e o compartilhar desse modelo é relevante para instigar outros professores e universidades. “No meu caso, estou no primeiro ciclo de formação, que é a licenciatura interdisciplinar, mas eu pretendo ir para a área de saúde. Fica evidente que é preciso mudar essa forma tradicional de ensino e é legal ver os professores de outras universidades se interessando por esse modelo”, conclui.


Edição: Tacyana Arce (Cedecom/UFMG)

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