Marcada pela desconfiança, depois de acidentes como o do Césio 137, em Goiânia, tecnologia nuclear é essencial para desenvolvimento científico e social — Foto: Agência EBC

Tecnologia nuclear é estratégica para desenvolvimento científico e social

Da medicina à agricultura, passando pelo tratamento de obras de arte e estruturas de engenharia, atividade nuclear vai além da geração de eletricidade

Roberta Nunes (FAPEMIG)

pela Agência RMCC

Desconfiança em relação à segurança de sua utilização marca a relação do brasileiro com a tecnologia nuclear. Mas no dia-a-dia, ela está presente em diferentes segmentos, como a terapia para tratamento de câncer, esterilização de produtos médicos cirúrgicos, radiações de fios e cabos, radiação de grãos na agricultura, e até mesmo em obras de arte. Seu uso está muito além da geração de eletricidade em energia nuclear, que representa 3% da matriz energética no país.

“É inconcebível pensar o desenvolvimento científico e tecnológico sem incorporar a área nuclear”, afirmou Renato Cotta, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), durante a 68º Reunião da SBPC, que acontece até o dia 9 de julho, na Universidade Federal do Sul da Bahia, em Porto Seguro. A CNEN é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e estruturada para desenvolver a política nacional para o setor, tendo como responsabilidade o planejamento, orientação, supervisão, fiscalização, regulação e licenciamento, do uso da energia nuclear no País.

Renato Cotta também apontou que no cenário brasileiro são 475 clínicas que realizam cerca de 2 milhões de procedimentos anuais de medicina nuclear (principalmente em oncologia e cardiologia), sendo 30% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). São mais de 2 mil instalações no país que operam processos industriais com fontes radioativas. “Temos uma medicina nuclear moderna, mas com uma demanda reprimida de pelo menos três vezes o numero de procedimentos que a gente faz hoje”, acrescenta.

Fiscalização

A segurança, a destinação dos resíduos e a possibilidade de acidentes geram certa resistência da utilização da energia nuclear por grande parte da população. Em relação à fiscalização do CNEM, Cotta esclarece que é preciso distinguir as diferentes responsabilidades nesse processo. “O procedimento médico, por exemplo, seja a injeção ou prescrição, não tem como a CNEN fiscalizar. Basicamente, a gente faz regularmente a fiscalização da proteção radiológica, se não a empresa, a clínica ou o hospital teriam que parar de funcionar”, diz. Em relação ao Raio X radiológico, Cotta afirma que cabe a Anvisa essa fiscalização.

Sustentável?

Em relação às aplicações da tecnologia das radiações na indústria e meio ambiente, Wilson Calvo, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), debateu o tema trazendo a percepção da inovação e crescimento na área de forma sustentável. Ele também expôs a atuação de sua instituição que tem agido em vários setores da atividade nuclear entre elas, nas aplicações das radiações e radioisótopos, em reatores nucleares, em materiais e no ciclo do combustível, em radioproteção e dosimetria.

Para Wilson, é importante a percepção da sociedade de que as aplicações da energia nuclear, seja na indústria, agricultura, meio ambiente, ou outra área, são um mercado enorme e em crescimento. “Eu não veria a sociedade hoje sem a aplicação nuclear em benefício da sociedade”. afirma. Ele acredita no potencial que o país tem para crescer no setor e nos benefícios que os produtos têm para o desenvolvimento da sociedade.


Edição: Tacyana Arce (Cedecom/UFMG)

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