Foto: Agência EBC

Tríplice epidemia de dengue, chikungunya e zika mobiliza pesquisadores

Instituto Butantan, Fiocruz e Anvisa apresentam os gargalos no processo de produção e acesso a vacinas

Sílvia Amâncio (ESP-MG)

pela Agência RMCC

A mobilização de pesquisadores e instituições brasileiras de referência em torno de mecanismos de controle e desenvolvimento de vacinas para enfrentamento da tríplice epidemia de dengue, chikungunya e zika foi o mote da conferência “Gargalos na produção de vacinas (Dengue, Chikungunya e Zika)”, de Paulo Lee Hoo, diretor de desenvolvimento e inovação do Instituto Butantan, que falou sobre a pesquisa, ainda em andamento, da vacina contra o Zika Vírus no Brasil.

Segundo o conferencista, o zika vírus já circula em 22 estados brasileiros, provocando mais de 8 mil de associação à microcefalia até junho de 2016. “São números preocupantes que fizeram com que a comunidade científica brasileira, assim como o Butantan, utilizassem seus conhecimentos e estruturas para desenvolver pesquisas e posteriormente desenvolver uma forma de imunização”, destacou.

Hoo abordou as fases da pesquisa como recombinação de vírus, a intervenção no hospedeiro, terapias e o entendimento da biologia do sistema de infecção. “Notamos que o vírus brasileiro assemelha-se com o vírus asiático e são transmitidos por um único vetor, o mosquito Aedes aegypt”, explica.

Ainda em sua fala, ele apontou desafios nessa pesquisa como a produção de produto biológico eficiente que responda às demandas da população brasileira, a assistência às gestantes, a produção de anticorpos e o correto diagnóstico. “O Brasil deve enfrentar esses casos com ciência, conhecimento, inovação e revolução”, afirmou.

A pesquisa do Instituto Butantan conta com 17 mil voluntários em 14 laboratórios no Brasil e encontra-se na Fase 3. A previsão é que a vacina possa ser desenvolvida em até cinco anos.

Experiências exitosas

Também na conferência sobre a tríplice epidemia, o vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rodrigo Stabeli, falou sobre a força da ciência brasileira em mudar quadros como esse, sendo necessárias políticas públicas que garantam a efetividade das ações. “Os pesquisadores devem trabalhar para trazer desenvolvimento para o país, controlar e erradicar doenças como muitas que já estão sob controle. A Fiocruz é referência nessa área, no desenvolvimento e fabricação de vacinas”, disse.

Ele lembrou também dos avanços promovidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, e da necessidade de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) para que a população tenha acesso à saúde. “Epidemias como essa devem levar em conta o histórico de nosso país, os fatores sócio-econômicos, sanitários, educação e de meio ambiente”.

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