Alexandre Giesbrecht
Nov 2 · 6 min read

Não foi uma viagem cheia de percalços nem mesmo de dicas para turismo, mas, além de eu escrever para me lembrar no futuro, também tenho uma ou outra curiosidade que pode interessar a alguém, além de fotos de lugares bonitos e/ou interessantes.


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O café da manhã do hotel impressionou favoravelmente. Não que fosse um belo banquete ou algo parecido, mas havia opções suficientes e boas. Para o padrão do hotel, semelhante ao Ibis, estava ótimo. As atividades do dia no evento começaram de manhã, com pausa para o almoço no restaurante do próprio prédio da empresa, e terminaram no fim da tarde, quando todos foram liberados para uma noite livre.

Em um grupo formado por quatro singapurenses, dois argentinos, um saudita, um indiano e eu, seguimos a pé até a estação de trem mais próxima, a uns dez, quinze minutos de caminhada. Os argentinos deram a sugestão de comprar o Tageskarte, ou passe diário, que permitia viagens ilimitadas e era apenas ligeiramente mais caro que o passe de uma viagem que eu tinha comprado no dia anterior (5,35 euros, contra 4,95). Todos seguiram a sugestão, bem a tempo de pegar o trem seguinte rumo à estação principal (Frankfurt Haptbahnhof).

O contraste entre as estações Niederrad e principal.

Na estação principal, pegamos o metrô até a estação Hauptwache, debaixo da principal praça da cidade, onde havia um shopping center. Cada grupo então se separou, e combinei com os argentinos de nos encontrarmos mais tarde em uma cervejaria recomendada por um amigo meu. Eu não tinha nada programado para fazer até lá, então aproveitei para andar muito pelo centro da cidade.

A andança foi em parte motivada pela busca por algum lugar que vendesse revistas esportivas, algo surpreendentemente difícil. Nos poucos lugares que encontrei vendendo revistas em geral, não encontrei nenhuma Kicker ou Sport Bild. E olha que andei bastante. Fui encontrar apenas quando já estava quase desistindo, em uma loja de conveniência na Schäffergasse. Comprei a edição do dia anterior da Kicker e o guia dos principais campeonatos europeus publicado pela mesma revista, além da edição do dia do jornal Bild, frequentemente usado como exemplo de design gráfico por Mario Garcia, uma das maiores referências mundiais no assunto.

O centro de Frankfurt.

Meu passeio seguiu, então, sem objetivo a não ser matar o tempo. Fiz algumas observações, como o respeito que os motoristas alemães têm pelos pedestres. Isso não era exatamente uma surpresa para mim, mas ainda assim chama a minha atenção sempre que vejo exemplos disso. Como em um momento em que eu nem tinha certeza de que queria atravessar, mas, como estava quase ao lado da faixa de pedestres, o carro que vinha pela rua parou. Acabei atravessando simplesmente por isso.

Nesse sentido, algo que eu não sabia era que os sinais de pedestres ali abrem junto com sinal para os carros da rua transversal. Quem faz a conversão pode passar pela faixa mesmo com o sinal verde para os pedestres, mas, claro, dando a preferência para estes. A foto abaixo demonstra isso perfeitamente. Aqui em São Paulo, o sinal para conversão estaria fechado para o carro enquanto o de pedestres estivesse aberto. E o pessoal muitas vezes passa assim mesmo, como pude testemunhar mais uma vez ontem, na Praça Amadeu Amaral — com o sinal para pedestres aberto havia tanto tempo, que já estava quase fechando novamente.

O pedestre vem sempre em primeiro lugar na Alemanha.

Voltando a Frankfurt, resolvi ficar nas proximidades da cervejaria, que ficava numa praça no fim da Fahrgasse, quase no Rio Meno. Aproveitei para conferir o visual a partir da Alte Brücke (Ponte Velha), a meio quarteirão de distância. E que belo visual. Além do belo pôr do sol, a vista do Meno e o parque linear em uma das margens são interessantes.

O parque linear era aproveitado por muita gente para correr ou simplesmente passear. Se eu tivesse passado lá algumas horas mais cedo, talvez tivesse a opção de entrar em um dos barcos-restaurante que agora estavam ancorados e fechados. Não faço ideia de como funcionaria ou quanto custaria, mas pareceu ser um passeio interessante. Andei algumas quadras pelo parque, até alcançar a Eiserner Steg (Ponte de Ferro), outro ponto com uma bonita vista. O sol já tinha quase sumido, então já não havia mais tanta coisa assim a ser vista.

O parque linear às margens do Rio Meno.

Retornei à cervejaria, o naïv Bar & Restaurant, pedi uma Störtebeker Braumanufatktur Bernstein-Weizen, uma Hefeweizen com 5,3%, originária de Stralsund, no litoral do estado de Mecklenburg-Vorpommern. A descrição era sugestiva: “Âmbar, o ouro do Mar Báltico. Tão âmbar como as cervejas de trigo que refrescam cada membro de tripulação na praia ou em alto-mar.”

Imaginei que ali eu poderia usar o meu enferrujado alemão, algo que eu ainda não tinha podido fazer com frequência na viagem, mas o garçom era justamente brasileiro. Admito que isso facilitou um pouco as coisas quando fiz meu pedido, depois de os argentinos chegarem. O cardápio até estava também em inglês, mas alguns dos ingredientes citados, eu não fazia ideia do que eram.

O naïv Bar & Restaurant e a Hefeweizen que tomei ali.

Para acompanhar o jantar, pedi uma Braumanufaktur Hertl & Sudden Death Drunkin Pumpkin, uma Pumpkin com 5,4% de Schlüsselfeld, no estado vizinho da Baviera. Apesar de mencionada no cardápio, ela estava sendo substituída por uma cerveja similar, também Pumpkin — esqueci os detalhes. Sem problemas. Apesar de eu ter pedido no copo de duzentos mililitros, para poder experimentar mais, veio no de quatrocentos. O garçom disse que não era problema, pois mudaria no sistema para o de duzentos, sem precisar trocar o pedido.

Para voltarmos ao hotel em Niederrad, fomos até Konstablerwache, onde eu tinha visto uma estação de metrô/trem durante minha andança. Era a mais próxima de onde estávamos. Cogitamos pegar um bonde, mas possivelmente demoraria mais. E a Estação Konstablerwache acabou se tornando uma excelente opção, pois ali poderíamos pegar justamente a linha S8 ou a S9, que nos deixariam rapidamente em Niederrad. Chegando lá, uma rápida viagem de bonde por uma estação — desta vez, paga, graças ao Tageskarte!

Para alcançarmos o hotel, tínhamos de andar por uma ruazinha sem nome que liga a Lyoner Strasse à Goldsteinstrasse. Eu já tinha percorrido essa rua quatro vezes nesses dois dias, mas não sabia que à noite ela ficava completamente escura. Em São Paulo, eu certamente não entraria ali num horário como aquele, mas na Alemanha certamente não haveria problema, como, de fato, não houve.

Alexandre Giesbrecht

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Publicitário, designer gráfico, historiador esportivo e escritor. Também escrevo sobre histórias da cidade e de alguns veículos da mídia.

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