Crise

De uns 2 anos para cá, me veio uma certa crise, mas daquelas que só identifiquei como crise agora olhando um pouco para trás. Vejo crises como boas, de certa forma de movem para um novo ponto, trazendo do dicionário:

4. Eventual manifestação repentina de um sentimento, agradável ou desagradável

E esta manifestação te move, e o único problema é que as vezes você não sabe para onde. Mas a minha, que ainda não sei para onde estamos indo, temos nossos altos e baixos, mas já foi definido um foco: o que é você neste espaço, o que você representa? E um ponto importante foi constatado, e por hoje tenho uma das definição em andamento: eu sou uma mulher, sou negra.

E decidi “parar” por aqui, isso porque só nesta duas definições já carrega milhares de posicionamentos e significados. Falando um pouco em altos e baixos, já me sinto um máximo por ser mulher, fazer parte desta classe tão transformadora, que gera, move e transforma e maravilhada que ainda por cima ser negra, forte, astuta, guerreira.

Mas já me veio muita angústia de todo este peso que isso tudo carrega, ou parece carregar, não precisar ser delicada, mas mesmo assim chorar, não pedir ajuda, não se importar com a opinião, ter autoestima, ser um espelho para uma nova geração.

Frente a isso tudo as vezes já não sei o que fazer, por isso as vezes fico pensando como todas conseguiram também e vejo que há algum jeito, e logo todos terão essa fórmula.

Gosto de me posicionar como mulher negra, isso me conforta de certa forma ao mesmo que vem leves cargas de dor, como em relacionamentos, carreira e tudo mais, porém ainda assim é o que me faz mais bem em pensar, fazer parte.

Ainda não tenho a fórmula, e não sei como isso tudo pode acabar, não me vejo como melhor exemplo, mas sim um exemplo que tá aí, também, como todos os outros. E eu tenho eles.

Agnes Reis de Oliveira

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Crônicas, poemas, histórias e versos de amor, vivências, pensamentos soltos que encontram um lugar nas palavras.