Acredito sempre ter me importado mais com presença do que com presentes, o que para alguns, é um erro que é permitido somente em idade avançada e — mesmo consideravelmente jovem — posso falar francamente que deste e outros erros, entendo bem.

Claro que tudo é uma questão de ponto de vista, mas sei que cometi vários e entre os que colecionei e os que continuo coletando durante a minha meia-vida — e pela presunção dos que cometerei nesse futuro eminente — vou remanejando as peças que formam meu todo até encontrar a melhor combinação, exercitando a compreensão e aceitação para me reinventar a cada um desses deslizes, para através deles me transformar e me moldar melhor do que fui.

A ideia do que é bom ou ruim, certo ou errado, diferente ou banal, é tão mutável quanto nossos momentos, afinal, amanhecemos nas incertezas do dia e anoitecemos nas dúvidas da vida. Por isso, como uma espécie de terapia, me diminuo até caber na palma da mão; me vejo de fora, para me entender mais; desapareço no estalar de dedos para então ressurgir, da mesma maneira, porém menos medíocre.

Nesses sumiços aprendi, por exemplo, que a legenda é tão importante quanto a imagem; que uma informação não se tornará mais importante por mais exclamações que se coloque na sentença; que um bom livro não se empresta e tampouco se devolve; que em cada mágoa que se causa a alguém a ferida maior fica em você; que uma cerveja é para ser bebida a dois e dura em média 15 minutos de conversa (e talvez seja uma das melhores maneiras de curar a mágoa de alguém).

Não aprendi sozinho, por isso te peço para acreditar na minha experiência e também se abrir para as experiências das pessoas ao seu redor, sem tomar nenhuma delas para si. As mágoas e alegrias são muito pessoais e apesar de toda empatia que temos, essas sensações não são nossas. Mas só assimilei, realmente, com os meus próprios tropeços e depois de ralar o queixo nas irregularidades da vida.

Ainda, que tenha vivido em erros e acertos, desaparecido por períodos, me apresento aqui para saber de você — em toda a sua multiplicidade — para que na próxima vez que nos encontrarmos eu permaneça igual e ainda assim diferente, sabendo que na sua presença o maior presente de todos, ainda cabe dentro do nosso abraço.


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