Apontavam para o seu corpo estático.

Mais uma vitima do estado apático, 
proveniente de uma vida caótica, 
sobrevivente da imposição metódica, 
condecorado na guerra diária, 
doente da praga urbana, imaginária.

Febre amarela da cidade,
atinge qualquer um na meia idade.

Lutou nas idas e vindas com orgulho, 
carregando no estômago o barulho 
do café da manhã esquecido, 
já naquele almoço corrido.

Lá estava ele, marcando lugar com crachá, 
afinal, não tem tempo, não pode esperar.

Come, 
antes que surja outro boleto insone, 
para roubar sua fome. 
Em um lapso não tem lembrança do nome 
ou característica de homem 
acredita ouvir sua própria voz no telefone.

Então desliga: ligação, mente e razão. 
E vem a queda: tropeço, abismo e escuridão.

Baixa pressão e tontura, 
frieza e um pouco de amargura.

O filho já não precisa criar, 
só tem o código de barra para arcar, 
do plano de saúde que nem vai mais usar.
Remói a forçassão de barra que teve que aturar 
e todos os remédios que teve que tomar.

Num lampejo surgiram pessoas queridas, 
lembrou de algumas feridas. 
Da missão cumprida 
numa vida pouco comprida.

Caído naquela avenida, já esgotadas as suas pilhas,
não escapou daquela armadilha.

Do filho subnutriu a sua infância 
pois tratou de alimentar a sua ganância
num mundo cheio de irrelevância
foi postergando a ressonância.

Não importava se tomara vacina, 
cerrados olhos “azul piscina”,
não verão outra vez a menina,
secaram num cruzamento da Faria Lima.

Para si, naquele momento 
criou pequeno tormento, 
os olhos sempre virados pra dentro
a mente fora do centro.

Só aí que percebeu:
não morreu,
apenas “desnasceu”, 
de toda a vida que não viveu.

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