A TV ao vivo, a internet, o futebol e os elefantes

Estádio lotado, jogadores no centro do campo prontos para o clássico paranaense, mas faltava algo. Em um canto do estádio, 20 pessoas aguardavam de forma apreensiva o desfecho daquele impasse. A federação de futebol os acusavam de serem jornalistas não credenciados, que somente após a saída deles que o jogo poderia começar.

Após 30 minutos, o primeiro clássico de futebol do país a ser transmitido no YouTube acabou sendo cancelado. O impasse entre a Federação e os times foi só mais uma batalha, entre as muitas que assistimos recentemente nesta transformação da economia num mundo cada vez mais digital. Este mundo permitiu que uma empresa sem hotéis se tornasse uma gigante em hotelaria, outra sem carros, em uma gigante do transporte.

Ao contrário que muitos falaram deste episódio de Curitiba, isso não se trata de uma inovação. O consumo de conteúdo já migrou e continua migrando silenciosamente para o mundo digital, hoje é possível se entreter e se informar sem depender dos meios tradicionais.

Até pouco tempo, os esportes ao vivo eram vistos como a tábua de salvação da TV tradicional. Mas isto era um grande engano.

Hoje podemos assistir ao vivo vôlei, e-sports, surf, motocross, skate e muitos outros esportes ao vivo em plataformas como YouTube, Facebook, etc.. Cada um desses nichos está abocanhando uma migalha deste grande pão.

Os gigantes da comunicação, como elefantes, são ineficientes ao lutar contra estas formigas. São muitos micro produtores, fazendo todo o tipo de conteúdo, para todo tipo de público.

A conta tem que fechar.

É uma delicia sentar em casa e assistir ao meu evento favorito, mesmo que ele interesse para apenas uma centena de pessoas. O maior desafio é encontrar a viabilidade financeira para estas transmissões. Afinal, alguém tem que pagar a conta.

Um dos maiores argumentos para planejar o seu “ao vivo, “ é pensar no alcance que o seu evento poderá ter sem grandiosos investimentos.

Os seus patrocinadores poderão ser vistos por um público ilimitado. Sua arena não abrigará apenas 1 mil ou 10 mil pessoas. Sua arena será ilimitada, ou melhor, do tamanho do interesse do seu evento para o público.

A cada ano que passa, fabricantes de equipamentos desenvolvem soluções menores e mais simples para fazer uma transmissão ao vivo. As transmissões impecáveis ainda precisarão de caminhões de milhares de dólares e equipes de dezenas de pessoas, mas é possível entrar ao vivo a partir do seu telefone celular ou através de um sistema compacto com meia dúzia de pessoas.

Esse bolo nunca mais será o mesmo. Vejo o futuro do vídeo ao vivo como ilimitado. Isso não quer dizer que a televisão como conhecemos hoje está com os dias contados.

Sempre haverá espaço para conteúdo de altíssima qualidade, mas este conteúdo terá que competir com milhares de outros conteúdos. É o fim da fatia de audiência.

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