O balanço de 2017.

Todos sabem que não ligo muito para algumas datas, que penso serem somente números inventados pelo ser humano, e que os dias são todos iguais.

Os significados são somente produtos de nossa cabeça, atribuímos a esses dias o que quisermos. Acredito que devemos atribuir nossos valores e sermos o melhor que conseguimos sempre. Independente de qualquer data em especial.

Mas entre hoje e ontem decidi fazer uma faxina geral, me livrar de tudo que ocupava espaço e já não tinha mais utilidade.

Comecei pelo meu quarto, liguei o som em uma das minhas playlists favoritas, e enquanto rasgava folhas, me livrava de roupas, e de tantas tralhas que não precisava mais, acabei entrando na faxina mental também.

Nesse processo fiz meu balanço do ano de 2017. Um pouco tardio comparado as inúmeras retrospectivas de stories no Instagram, e textões do Facebook.

O ano não começou fácil, e logo de cara tive as minhas crises de ansiedade devido a problemas familiares. Foi um período difícil onde mal conseguia comer e dormir.

Na sequência veio logo uma outra porrada, perdi minha primeira avó, que já estava em idade avançada e com problemas de saúde. Foi a experiência mais difícil para pôr em prática tudo aquilo que acredito sobre o nosso ciclo de vida aqui, as dimensões e a lei que nos rege, e pude sentir como somos frágeis. Já tinha perdido outros familiares com pouca relação na época, o que me entristeceu bastante obviamente, e um cachorro quando morei em Londres (lembro muito bem da dor que senti naquele dia).

Mas dessa vez foi diferente, foi uma dor que não consigo colocar em palavras, e apesar de toda a saudade, tristeza e sofrimento, senti paz e um calor no coração.

Paz em saber que ela estava indo pra um lugar muito melhor, onde poderia experienciar toda sua plenitude, e espalhar todo o amor que sempre nos mostrou aqui. Era apenas mais um ciclo que chegava ao fim, e apesar de sua presença física não estar mais nessa dimensão, sua presença amorosa continua na minha mente, e continua aquecendo meu coração toda vez que sinto saudade da sopinha de kneidlach (um prato da culinária judaica) que ela preparava especialmente pra mim em todas as festividades religiosas (era engraçado como ela me chamava com seu sotaque argentino: “Álllllê tiene sopita de kneidlachhh”).

Meu pai voltou a morar em casa, e apesar de todos os conflitos que isso ocasionou, me senti bem. Foi nostálgico, e me fez lembrar quando era pequeno e nossa família estava junta, sempre brigando e dando risada ao mesmo tempo. Uma família exótica, por assim dizer.

Me afastei de pessoas que me carregavam de negatividade, e me aproximei de outras por situações inusitadas.

Todas com seu valor, mas confesso que algumas se tornaram mais especiais, e ganharam um lugar dentro do meu coração, que costumo manter fechado e reservado.

Foi um ano de muita coisa boa, desenvolvi mais o meu desenho, a minha escrita (que apesar de não divulgar, continuei escrevendo muito), teve muita música, e tive a oportunidade de ir pela primeira vez no meu festival de música favorito do mundo, o Dekmantel, e pude escutar músicos que sempre admirei somente pela internet, baixando sets e shows.

Rolou muita festa, muitos sorrisos, e muita dor nas pernas nos dias seguintes, afinal, a idade não perdoa ninguém.

Me provei ser guerreiro, e reconheci minha força em muitos desafios, e consegui passar pela primeira etapa da minha tão sonhada faixa preta.

Mas nem tudo foi como o desejado, e sofri um acidente no tatame, acabei rompendo um ligamento, fraturei a tíbia, além de outras lesões consequentes.

O que não foi suficiente pra me impedir, fiz o exame mesmo assim, e apesar de toda dor, venci mais uma etapa.

Uma pena que graças a lesão, vou ficar afastado por quase 1 ano de uma das atividades que mais amo na vida, e que me ajuda a manter o equilíbrio mental e físico que tanto busco, o Karatê.

Também reconheci outras verdades que tanto quis negar. E adquiri um auto-conhecimento ainda maior.

Foi um ano de aprender que não preciso ter estilos de vida, hábitos, gostos culturais parecidos e maneiras de pensar e agir para gostar de verdade de alguém. E que são essas diferenças que nos fazem aprender, evoluir, e manter nossa cabeça aberta. Um ano de um amor verdadeiro possível, que o Universo ainda não quis que se concretizasse, mas o qual ainda sinto e acredito.

E por final, 2017 foi terminando aos trancos e barrancos, assim como começou. Minhas crises de ansiedade voltaram assim como minha vontade de continuar esticado na horizontal todos os dias, voltei a terapia, e decidi de vez acabar com elas, me auto analisar mais, e me reconhecer mais.

Foi um final de ano de recolhimento, de lágrimas e sorrisos verdadeiros, de sensações de vazio e preenchimento se alternando a todo momento. De reconhecer padrões errados, e querer mudá-los de uma vez por todas. De dia após dia, evoluir, crescer, e não ser nada menos, o melhor que posso sempre.

Um final de ano de reconhecer mais uma vez a minha Fortaleza, e ver o qual forte ela é, e que nada, nem ninguém jamais poderá derrubar.

E foi assim meu ano de 2017, o qual só tenho a agradecer.

Vem 2018! Com mais experiências, mais desafios, mais uma cirurgia, mais amor, e o que quiser mandar, porque eu aguento!

PS: Se quiserem saber qual playlist escutei durante todo esse processo, segue o link: https://open.spotify.com/user/aguzovsky/playlist/4wqSBidU7NPiK50qQviz2j

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