La Dulce Guava

Já é mais de meia noite e eu aqui bebendo suco de goiaba. Suco doce com gosto dos meus fantasmas. Quanto mais eu bebo, mais eu vejo que eu me odeio. Maldito suco de goiaba. Por favor, deem me uma cachaça.

Suco feito com toda a minha tristeza que me impossibilita escrever, mas me põe a beber. Tristeza, goiaba, leite, açúcar e água; dentro do liquidificador: esperança destroçada. Quero dividir esse suco com a minha amada.

Suco com o gosto do beijo da Morte, que de longe me observa, atraente e paciente, esperando um dia eu cair em seus braços apaixonados para nos acariciarmos até não existir mais eternidade. A minha vida se esvai a cada gole desse suco não coado.

A solidão eterna de uma noite sem fim; do dia anterior inacabado; de um abraço que não foi dado. Meu acompanhante, um suco de goiaba que eu preferia que estivesse envenenado.

Minha esperança acabou, minha vida já não tem sentido. O impossível se comprovou impossível, e o indestrutível continua firme e forte erigido, como em forma de aviso.

Está tudo acabado, mas meu suco de goiaba não. Contudo, tudo chega ao seu fim, ele também chegará, e antes dele chegar eu já estarei morto, nos braços firmes da Morte esperando meu suco de goiaba chegar.

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