Sobre cuidar da casinha

Desde o começo do ano eu entrei num processo profundo de autoconhecimento. Finalmente me virei pra dentro e comecei a enxergar a Ana Carolina que foi ignorada durante 29 anos da sua vida. Por mim e pelos outros.

Não é um processo fácil e delicado. É doloroso, demorado e deixa marcas.

Um dos pontos principais nesse processo é cuidar da minha famigerada autoestima. Sendo realista: eu quase não tenho autoestima, de verdade.

E constatar isso dói. Muito.

É aquele passinho de cada vez, mapeando todas as causas que me trouxeram até aqui, os motivos, relacionamentos, não relacionamentos, amizades, família. Tudo contribuiu, contribui e irá contribuir.

Ainda dentro da minha descoberta, tive que aprender uma coisa essencial: ser a minha melhor amiga. Ser gentil e paciente comigo. Não aprendemos nessa vida a gentileza com a gente, somente com os outros. Nunca tinha parado pra pensar o quanto eu sou considerada boa amiga pros outros e pra mim eu nunca fui nada além de fracasso. Algo que eu almejava ser e não era.

E claro que essa falta de amizade comigo mesma me levou a auto sabotagem, a falta de valor próprio, ao medo de arriscar, ao medo de ser feliz e ser amada. E só quando isso, de fato, passou a me incomodar, eu comecei a direcionar os olhos pra mim, ao invés do mundo.

Porque eu queria ser amada por quem eu amava. Mas eu achava que não era amada e me fechava. Fechava-me às oportunidades porque não me sentia digna. Não achava que ninguém iria gostar de mim porque eu não tinha valor suficiente. E isso cimentou tanto que eu acreditei nas crenças e vivi aceitando o destino. O que eu não sabia é que as pessoas tentavam, gostavam de mim, mas eu as afastava, sem saber. Porque né, quem não se acha digna enxerga sua realidade na sua própria percepção.

E hoje eu entendo que só eu posso mudar minha percepção. Assim como só eu posso cuidar da minha casinha, enxergar que aqui existe uma mulher maravilhosa (ou um mulherão da porra como já ouvi tantas vezes e não acreditei) e que essa mulher pode ser quem ela sempre quis. Que o processo de querer ser amada é esse, de se olhar sem reservas e aceitar-se como sua amiga. Ser gentil, empática e amorosa consigo. Ir devagar em busca do auto conhecimento, da vulnerabilidade, das verdades e encará-las como uma mudança necessária.

Apesar dos pesares, de querer voltar no tempo e fazer diferente, tudo valeu até aqui. Hoje eu sinto uma liberdade pra sentar e escrever aqui sobre meus sentimentos, coisa que eu jamais pensaria há um ano atrás. Inclusive, se a Ana Carolina de 2016 me visse hoje, ela estaria rindo, mas no fundo estaria concordando com tudo que eu escrevi acima.

Como eu disse a algum amigo uma vez: eu sou um vulcão adormecido por 29 anos e que agora despertou e a lava corre por todas as direções queimando tudo que vê pela frente pra criar um novo ambiente.

Me segurem.

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