Amor sem final feliz

Num daqueles dias que você pensa sobre tudo um pouco: coisas que já viveu, que está vivendo e coisas que estão por vir também… todo mundo tem desses dias e eu costumeiramente me pego mergulhado nesses pensamentos; pois bem, foi num dia desses que cheguei à conclusão de que a maioria dos amores que existiram, existe, e mesmo os que estão por vir, são desprovidos de final feliz. “Ah, mas se não teve ‘final feliz’ não foi amor”; engana-se quem pensa assim. Somos acostumados com as histórias infantis que, quase como uma regra máxima, trazem a famosa frase: “…e viveram felizes para sempre.”. Sim, com ponto final e tudo. Como se o autor esfregasse na nossa cara: “é assim que tem que terminar”.

Hoje compreendo que não foi bem isso que os autores quiseram dizer com a famosa finalização romântica. “E viveram felizes para sempre” estava mais para um desejo contido; quer dizer, outrora contido. Agora, no mundo da ficção, esse desejo é gritado, grifado, talvez até tivessem orientado as editoras a publicar essa parte do conto em letras garrafais, como se quisessem dizer para a vida: “Tá vendo! É assim que você deveria fazer terminar as histórias”.

Mas o tempo vai passando, o passar dos anos vai te trazendo mais maturidade, você lê outras histórias, livros de outras faixas etárias e percebe que, a maioria das histórias românticas, vem com o chamado “choque de realidade”. Mas como assim não terminou tudo bem? Como eles não terminaram juntos? Simples, caro(a) amigo(a), nem sempre as coisas acabam bem na vida real. Na verdade, aprendi que não acabar bem, é a regra geral da vida. A exceção são os ‘finais felizes’, que nada mais é que a nossa vontade. Se as coisas acontecem como você ou eu queremos, logo dizemos que acabou ‘tudo bem’, não é isso? Sim, admita, é exatamente assim.

Aceitar que tem muito amor que já passou pela vida da gente e foi bom, foi terno, foi memorável, que deixou saudades, vai te fazer bem. Afinal de contas, tu dividiu um período da tua vida com alguém em que vocês compartilharam, construíram e dividiram muita coisa. Construíram hábitos e aprenderam a ler as manias um do outro. Construíram memórias afetivas baseadas em cinemas, teatros, passeios pelo parque e programas de degustação em diversas pizzarias.

Tem amor que acabou e nem por isso deixou de ser amor. Admitir isso não vai fazer com que teu próximo amor seja mais fraco, ou não tenha paz, ou viva às sombras desse amor que já passou. Admitir que tu teve uma relação boa e saudável com uma pessoa que tu ainda acha incrível e gente boa não significa que tu é mal resolvido e quer voltar. Isso apenas significa que “foi bom enquanto durou e estava sendo bom enquanto durou, mas acabou”. Agora se infelizmente ou felizmente, isso eu não sei dizer ainda; mas tenho uma frase que sempre coloco em minhas orações e prefiro crer que tudo o que acontece em minha vida faz parte do meu pedido: “Senhor peço isso e aquilo, mas se houver alguma contradição entre a minha vontade e a Tua vontade, que prevaleça a Tua vontade sempre, amém!”.

Aprenda que se acabou sem um “felizes para sempre” e ainda te faz lembrar é porque teve um “fomos felizes um dia, graças a Deus”…. e não existe vergonha nenhuma em saber olhar pra trás, sorrir para vida e pra quem fez parte dela e seguir em frente.

Ailto Roberson Seibert

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