Menos juízes e mais professores, por favor!

A função de juiz é difícil. A começar pela dificuldade de se adquirir o cargo. São cinco anos de estudos, mais três anos de prática jurídica, mais uma prova de cinco fases. Então vem o dia a dia de um magistrado, onde se tem infindáveis processos, cada qual com sua complexidade e particularidades; a parte autora contando uma história triste e a parte contrária explicando basicamente “não foi bem assim”, para, ao final, geralmente com base nas provas que cada um conseguiu juntar ao processo, o juiz decidir quem na verdade tem razão. Com a sentença, teoricamente, diz-se: foi feito justiça.

Sinceramente, é um ofício que me assusta um pouco. Um juiz tem muitos poderes, é bem verdade, mas seriam estes proporcionais as suas responsabilidades? Eu entendo que não. E ainda assim, com tantas responsabilidades, tanta dificuldade em se exercer tal profissão, todos nós queremos e vestimos a toga. Sem preparo algum. Sem ter passado por qualquer tipo de teste. Sem receber um centavo, em caráter voluntário mesmo, nós prolatamos infindáveis sentenças acerca da vida alheia.

Recentemente, andou circulando pelas redes sociais uma dessas imagens cômicas que o pessoal compartilha aos montes. Na imagem haviam algumas senhoras sentadas à beira de uma calçada, numa rua qualquer, e a mensagem abaixo: “Tribunal do Júri da minha rua”. Soa engraçado, compreensível, mas eu preciso perguntar: quantos de nós já não nos vimos na mesma cena?

Em geral, as pessoas ouvem uma história sobre determinada pessoa e ali, na mesma hora, sem ouvir a parte contrária, sem saber se é mentira ou verdade, sem maiores detalhes, em poucos minutos, elaboram a sua própria sentença. Se o Poder Judiciário trabalhasse de tal forma, a Justiça Brasileira seria a mais célere do mundo, sem dúvida alguma. E a mais injusta também.

Entenda: o seu problema pessoal não deve ser objeto de julgamento. Então por que o de um terceiro poderia ser? Se nem Deus aponta o dedo pra nós, por que é que nós vamos continuar apontando para o nosso próximo? Particularmente eu prefiro a figura do professor. Sou fã desses profissionais, principalmente porque passaram pela minha vida de educando excelentes exemplos. Sou eternamente grato a cada um deles e gosto de me colocar no papel de educador. Não por saber o bastante, mas por saber que os melhores professores que conheci carregavam uma frase na ponta da língua: “se eu não souber te responder agora, vou pesquisar e trago a resposta na próxima aula”. E geralmente traziam mesmo. No fim das contas o objetivo era um só: ajudar.

Acredite piamente nisso: não cabe a você julgar uma realidade que não é sua. Quanto mais uma pessoa que você não conhece. Nesse sentido não posso deixar de desejar que, a cada dia mais, sejamos menos juízes e mais professores na vida de nossos semelhantes. Dispostos a ajudar, a fazer crescer. Menos dedos apontados e mais mãos estendidas. Menos sentenças e, sobretudo, mais humanidade.

Ailto Roberson Seibert

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