A Morte de César Júlio.


Idos de março de 44. a.C, com punhaladas morre César Júlio, anônimo qualquer da República Romana. Pouco sabe-se da história do depilador de axilas - sim, César Júlio era depilador de axilas - profissional comumente requisitado por atletas e gladiadores mau cheirosos. Além da árdua profissão, acumulava bicos pelas casas de patrícios famosos como os conspiradores de um certo Júlio Cesar.

Se pouco sabemos sobre sua vida, ainda menos sabe-se sobre sua morte. Quem encontrou o agonizante infeliz naquele fatídico dia foi um jornalista do Acta Diurna, periódico criado por Júlio César. Antes de morrer, o depilador de axilas implorou para que sua história fosse tornada pública. Com um sorriso no rosto proferiu: “se fui um anônimo em vida, vão me conhecer depois da morte”. O jornalista, prestativo e pontual, anotou tudo no papiro: sabia que crimes sempre rendiam boas pautas no jornal. Antes de fechar os olhos de César Júlio, prometeu que todos conheceriam sua biografia, bem como o mistério que rondava sua morte.

Não fosse as 23 facadas que Júlio César tomara a alguns metros dali, no mesmo horário, a história de César Júlio seria conhecida. O jornalista bem que implorou para o patrão, segundo o mesmo, aquele crime tinha tudo que os romanos gostavam de ler, com um toque de mistério que poderia abalar a estrutura da república. Parece que todos aqueles bicos que o depilador de axilas fazia, coincidiam com o horário de importantes assembleias no senado, quando esposas ficavam sozinhas nos luxuosos Domus. Parece que um certo patrício não havia reconhecido seu rosto no “filho”. Parece que saiu todo exaltado pelas ruas com uma faca na mão. Parece que não era o único corno. Parece que todas aquelas estátuas iguais de futuros imperadores romanos eram culpa de genes de César Júlio. Parece que, se a morte de Júlio César instaurou o Império Romano, o órgão reprodutor de César Júlio foi responsável pela linhagem que vestia a coroa de louros.

Claro, isso é apenas um parecer, o editor do Acta Diurna nunca deixou o jornalista publicar a história. Maldito Júlio César, que morreu no mesmo dia de César Júlio.