Como eu consegui meu intercâmbio universitário na Holanda
Exames de proficiência, processos de seleção, burocracias e passagens de avião
Hoi! Meu nome é Isadora Ferreira, eu sou estuante do (quase) falecido curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e estou atualmente cursando European Studies e International Communication Management na The Hague University of Applied Sciences (THUAS), em Haia (The Hague ou Den Haag), na Holanda.

Sempre que falo que estou estudando fora, entre um “nossa, legal!” e um “boa sorte!” aparece a seguinte pergunta: “como você conseguiu?”. Acho a questão bem válida, mas a resposta completa tende a ser grande e confusa demais para eu explicar assim, numa conversa casual, num tweet ou em um e-mail curto.
Pensando nisso, decidi contar aqui, com todos os detalhes que minha memória permitir, como foi meu processo para candidatura do intercâmbio. Lembrando, claro, que este é um caso particular e que vai fazer muito mais sentido para quem também estuda na UFMG ou em outras universidades com programas semelhantes.
O Minas Mundi
Em tempos sem Ciências Sem Fronteiras, pode parecer complicado encontrar um jeito de fazer um intercâmbio dentro do seu curso de graduação. Porém, existem alguns outros programas que podem ser uma boa opção.

Na UFMG, a Diretoria de Relações Internacionais (DRI) possui parcerias com diversas universidades do mundo todo. É a partir dessa cooperação entre as instituições que nasce a possibilidade de intercâmbio para os estudantes.
Para estudar fora, muitas vezes é preciso que o estudante seja nomeado para a instituição de destino. A UFMG faz a nomeação de seus alunos através do programa Minas Mundi e foi dele que eu participei para estar aqui.
Exame de proficiência
Mas calma! Antes de particiapr do Minas Mundi em si, eu tive que me preparar. O edital do programa geralmente é lançado no primeiro semestre de cada ano e até o último dia de inscrição para o programa, os estudantes devem apresentar os resultados dos exames de proficiência nas línguas nas quais possuem fluência.
O exame mais requerido no edital é o do Centro de Extensão (CENEX) da Faculdade de Letras. O exame é oferecido todo semestre, mas ATENÇÃO: para fazer sua inscrição no Minas Mundi, você precisa fazer o exame de proficiência ANTES de se inscrever, até porque as datas do exame costumam ocorrer antes mesmo do lançamento do edital — Fique atento ao site e às redes sociais do DRI e do CENEX!
O teste de proficiência do CENEX serve para quase todas as universidades parceiras e tem um valor de R$ 120, bem mais em conta que outros exames semelhantes.
Como eu sou desesperada, acabei fazendo o TOEFL iBT também, que é outro exame amplamente aceito por universidades dentro e fora do Minas Mundi. Obtive um resultado melhor nele do que no exame do CENEX e o teste de maior nota foi o que prevaleceu para minha seleção.
A seleção
No primeiro semestre de 2017, a DRI-UFMG publicou o meu edital do Minas Mundi. Ele determinava como seria feita a seleção dos alunos, algumas outras burocracias e, claro, as vagas para as quais poderíamos nos candidatar,por país, universidade e curso.
Nele também ficava claro todas as etapas do processo de seleção. Para a primeira fase, foi necessário enviar:
- os resultados dos exames de profissiências (no meu caso somente os de língua inglesa e se você vai tentar uma universidade portuguesa, não precisa de exame!);
- certificados de participação em atividades extracurriculares, estágios e/ou programas de pesquisa;
- histórico e Rendimento Semestral Global (RSG), enviados automaticamente através número de matrícula.
Junto com os dados para a primeira etapa, já foi também necessário enviar o que seria avaliado na segunda fase do processo de seleção:
- cartas de motivação nos idiomas requeridos pelas universidades de destino (caso você vá tentar universidades em diferentes países, com diferentes línguas, precisa escrever mais de uma. Eu por exemplo tentei instituições de língua inglesa e portuguesa, então escrevi duas carta, uma em cada idioma);
- e pitches, vídeos de motivação (de novo, nas línguas das universidades desejadas).
Cada item a ser avaliado tem uma pontuação diferente. Para passar da primeira fase, você precisa ter mais que 60% dos pontos. Depois, entra na somatória a sua pontuação da segunda fase. Mais uma vez, há uma nota de corte já estipulada e é necessário estar acima dessa média para participar do programa.
A escolha do destino

Todo esse processo da seleção do Minas Mundi durou algumas semanas e, depois de publicarem a lista de aprovação e o rankeamento dos colocados, estava na hora de escolher para onde eu queria ir.
Dentre minhas opções, eu tinha as instituições de língua inglesa ou portuguesa com cursos de Comunicação Social/Jornalismo ou semelhantes. Com isto em mente, eu montei uma lista de prioridade, que nem fazemos para o Sisu, mas dessa vez com muito mais opções, e não só duas.
Eu tentei levar em consideração os cursos que mais tinham a ver comigo e minha tragetória acadêmica, os países que mais me interessavam, dei preferência pela língua inglesa para poder aperfeiçoar minha comunicação em outro idioma e também pesquisei sobre custo de vida (esse tiro meio que saiu pela culatra, mas é papo para outra postagem), clima, tamanho das cidades e imigração.
No fim, minha ordem ficou algo como: The Hague University of Applied Sciences (Holanda), University of Oslo (Noruega), Institut des Hautes Études des Communications Sociales (Bélgica), Maynooth University (Irlanda), Universidade de Lisboa (Portugal) e Instituto Politécnico de Leiria (Portugal). Consegui minha primeira opção e aqui estou!
A nomeação
O meu processo e minha seleção no Minas Mundi durou até Outubro de 2017, mas só em Abril deste ano aconteceu minha nomeação, uma vez que minha vaga era apenas para o segundo semestre de 2018.
A partir daí eu comecei a lidar mais diretamente com a equipe de intercâmbio da própria THUAS e demos início ao processo de application (aplicação) na faculdade holandesa.
Como fui nomeada pela UFMG e todos os meus documentos estavam certinhos, a application foi bem tranquila. Logo recebi o resultado e a carta de aceite da universidade e comecei o processo de imigração.
Imigração

Para dar entrada na Holanda como turista, nós, brasileiros, não precisamos de visto. Mas, como eu vinha para cá passar mais de 90 dias, precisava de uma permissão especial.
O visto para estudantes (MVV) na Holanda funciona da seguinte forma:
- Primeiro, precisei enviar através do sistema online da universidade documentos como declaração de antecedentes criminais, cópia do passaporte, comprovante de renda com tradução juramentada para o inglês, cópia da identidade/passaporte de quem estava bancando esse intercâmbio;
- Foi necessário também fazer o pagamento de uma taxa para o visto, que é de 192 euros;
- Após a comprovação do pagamento e o aceite dos documentos no sistema da universidade, foi preciso enviar os documentos originais que comprovam a renda pelos correios direto para o escritório da universidade;
- É a universidade de destino então que dá entrada no MVV daqui da Holanda mesmo.
- Em alguns dias, recebi a resposta de que meu visto foi aprovado. Marquei então uma reunião no consulado holandês em São Paulo, onde precisei levar mais alguns formulários e documentos, passaporte, fotos de um tamanho especial (3,5 x 4,5) e também deixar o registro de minhas digitais para o governo dos Países Baixos.
Em menos de 10 dias, o consulado me devolveu meu passaporte através dos correios. Nele, estava carimbado a minha permissão de residência provisória, que é extendida assim que eu me registrar na prefeitura de Haia e receber minha identidade com visto de estudo.
Documentos finais
Antes de eu embarcar no avião, porém, ainda tive que ajeitar mais burocracia. Nos meus últimos dias na UFMG, fui até o colegiado e a secretaria do meu curso para assinar alguns papéis que garantiam minha vaga e meu retorno à Universidade Federal após o período de intercâmbio.
Outro documento importante é o Learning Agreement, o Acordo de Aprendizado que é firmado entre mim, meu colegiado e a universidade de destino, e estipula o que vou estudar durante o meu semestre fora.
Além disso, é obrigatório para todos os alunos que vão estudar fora a contratação de um seguro de vida para o intercâmbio e precisei comprovar para a DRI que eu havia contratado um. Optei pelo que era indicado pela The Hague University, mas há várias opções no mercado com diferentes preços. Atenção apenas para a cobertura do seguro, já que alguns ítens específicos são exigidos pela DRI e também pelas universidades estrangeiras.
As passagens
Com todos os documentos prontos e já com meu passaporte em mãos após a devolução do consulado, comprei as passagens para meu intercâmbio. Optei por comprar ida e volta já de uma vez, pois acho arriscado ir para um país para ficar um tempo determinado mas não apresentar passagem de volta. Por sorte, a imigração holandesa foi tão tranquila que eles só deram uma olhadinha no meu visto de estudante e me receberam com um “Bem vinda e bons estudos”!
Financiamento e bolsas de estudo
Por conta do acordo de intercâmbio firmado pelas universidades, não preciso pagar nada para a universidade holandesa. Ou seja: não pago mensalidades, nem taxa de matrículas ou qualquer outro custo nesse sentido.
Por outro lado, custos com processo de imigração, passagens, aluguel, comida, roupas, passeios e qualquer outra coisa que queira fazer por aqui, tudo isso é custeado de forma privada por mim e minha família.
Porém, a Universidade Federal de Minas Gerais possui programas de auxílio que ajudam com esses custos. Para isso, o aluno ou a aluna deve ser assistido pela Fundação Universitária Mendes Pimentel (Fump), a organização que dá assistência aos estudantes da UFMG.
Os processos burocráticos com a Fump são um pouco diferentes dos que retratei aqui e não possuo experiência e/ou conhecimento sobre para falar sobre com mais detalhes, mas acredito que a DRI e a própria Fundação saibam informar melhor como tudo funciona nesses casos.

Espero ter sido clara e não ter esquecido de nada. Caso você tenha alguma dúvida ou queira saber mais algumas coisinhas, é só comentar! Aceito também dicas de o que mais escrever sobre o intercâmbio. O que você gostaria de ler/saber?
Até a próxima!
