Papeando e pensando

Um breve diálogo sobre o Universo


Caminho pela área rural da Cidade com Nome de Pássaro e admiro o ocaso no horizonte, o céu em tons amarelo, laranja e vermelho; as nuvens parecendo algodão doce.

Júpiter e Sirius surgem como dois pontinhos brancos bem visíveis.

Minha colega vem logo atrás, em passos largos, aos berros: — Hey! Poderia andar mais devagar?

— Mais devagar que isso e eu paro de andar! Estamos quase chegando!

Kaoru me alcança, ofegante. — Você acredita que há outro tipo de vida lá fora? Digo, no Universo?

— Por que está me perguntando isso tão de repente?

— Não sei.

Respiro fundo. O céu perdeu os tons quentes e agora está azul safira. A constelação de Órion já pode ser observada, assim como as demais.

— Sim, acredito que há outros seres vivos por aí — seja lá como forem e em que estágio estiverem. — Faço uma pausa enquanto procuro nas gavetas da minha memória alguma informação útil para o momento. — A Via Láctea, por exemplo, estima-se que ela tenha 300 bilhões de estrelas. Não é incrível?

— Confesso que é estrela pra caramba, mas qual o motivo de estar me dizendo isso?

— Nossa maravilhosa galáxia espiral tem 300 bilhões de estrelas, certo? Certo. Guarde a informação.
“Nosso sistema solar é composto por oito planetas — Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — e uma estrela, o Sol. Se cada estrela em nossa galáxia tiver ao menos dois planetas, quantos planetas teremos no total?

— Ah! Ah! Isso é fácil, 600 bilhões de planetas! — Sorri de satisfação.

— Certo. O que isso quer dizer, então?

Foi uma pergunta fácil, mas ela não soube responder e ficou em silêncio. Ou talvez estivesse envergonhada.

Então eu disse: — Que temos 600 bilhões de chances de não estarmos sozinhos.

Kaoru olha para o céu e fica sem ar. — Wo———w!

— A propósito, nosso sistema solar tem mais cinco planetas anões: Plutão, Ceres, Éris, Makemake e Haumea.

Chegamos ao sítio de meus avós.

— Quer entrar para comer e beber alguma coisa? Geralmente tem bolo de cenoura com chocolate e chá de camomila. — Comento enquanto abro o portão de entrada. — Deve estar cansada.

Kaoru balança a cabeça. — Não!

— Você é diabética?

— Não é isso! Quero continuar aqui fora!

— Por quê?

— Porque o céu está bonito.

— Entendi.

— E porque você deve ter mais coisas para me contar sobre o Universo.

Concordo. — É que eu leio uma pilha de artigos de astronomia antes de dormir.

— Seria uma boa se pudéssemos nos alimentar aqui fora. Tem como?

— Sim, eu pego uma toalha para sentarmos em cima. Mas…

Seus olhos pidões brilham. — Mas?

— Terá que passar repelente. Os insetos por aqui são loucos por carne nova.

Kaoru arregala os olhos pidões brilhantes.

— Estou brincando.
“Mas é melhor você passar repelente.

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