Era domingo e estava fazendo muito, muito frio. Estava tão frio que saí do banho tremendo e gaguejando! O inverno havia finalmente chegado, brrrr!, e eu estava feliz. Não por causa da atual estação. O motivo de minha felicidade era outra… Em carne e osso.
Dei uma enxugada no cabelo com a toalha enquanto admirava meu amor dormir. “O que será que está sonhando?”, me perguntei enquanto vestia a calcinha. Esborrifei um pouco de perfume e dei uma penteada marota na juba laranja.
Tentei não fazer nenhum barulho ao me deitar, mas o danado percebeu que eu estava ao seu lado e jogou a coberta sobre mim, me abraçando em seguida.
— Oi. — Eu ri enquanto dava-lhe um beijo. — Vem sempre aqui?
Thomas me encarava com seus olhos semi-cerrados. Estava sério e quieto.
Sou de ficar preocupada com pouca coisa, sabe? Obviamente, aquela sua expressão me deixou com medo.
— Amor… — Acariciei sua barba. — Aconteceu alguma coisa?
— Sim. — Respondeu-me secamente.
Meu coração acelerou na hora. O corpo petrificou.— O que houve? — Minha voz mal saía.
Ele se afastou um pouco e se sentou. Colocou as mãos no rosto e ficou em silêncio por meio minuto.
Eu realmente não sabia o que estava ocorrendo naquele momento. Estávamos indo tão bem. Estávamos tão felizes.
— Thomas — seu nome saiu quase como um pedido de socorro — fala comigo, por favor.
Thomas virou-se para mim e olhou tão profundamente em meus olhos que eu nem piscava. Num tom sério e quase assustador, me disse:
— Elizabeth, há algum tempo eu venho pensando em uma maneira de te contar algo muito importante. Não aguento mais guardar isso como segredo. Isso tem que acabar aqui e agora.
Meu mundo estava desabando. Meus olhos encheram-se de lágrimas. “Ele vai largar de mim. Ele se apaixonou por outra. Ele…” Eu estava para vomitar meu coração de tanto nervosismo.
— Bom, Thomas… Sou toda ouvidos. Diga-me o que tem que ser dito.
— Ok.
Houve um breve silêncio — e isso me corroía por dentro. Comecei a chorar.
— Elizabeth…
Eu ia morrer a qualquer momento.
— Eu nunca amei alguém do jeito que te amo. Você me faz o cara mais feliz do mundo.
Fiquei inerte na cama, ainda deitada, ouvindo aquela declaração. Enxuguei as lágrimas, inspirei oxigênio e tentei me acalmar. Finalmente consegui falar: — Retardado. Quase me matou.