Primeira oficina de #jogadas
Resultados da experiência
No último sábado, 15 de fevereiro, foi realizada a primeira experiência do projeto Oficina de #jogadas do Projeto #AJogada no espaço Multiplicidade de coworking, em Brasília.
O Projeto #AJogada tem como missão reunir pessoas, ferramentas e conhecimentos para compor uma nova cultura de escritório e administração de carreiras e negócios tomando como base os princípios da gameficação.

O que a administração gameficada toma como premissa para criar seu argumento é o princípio de que brincadeiras são mais criativas, e portanto, mais capazes de produzir valor e riquezas do que o trabalho tradicional. O que seria equivalente a dizer que um negócio sendo adminsitrado num ambiente de trabalho organizado em torno de jogos seria capaz de gerar mais lucro do que um que rodasse num ambiente de trabalho que se organiza em torno da ferramenta tradicional de administração: o documento ou ofício.

Tal premissa é muito parecida com a de estudiosos que investigam o uso de jogos na educação. Segundo eles, a experiência de flow criada pelo jogo potencializa muito a experiência de aprendizado de crianças e jovens.
Como vantagem em relação a administração tradicional a administração gameficada conta com ferramentas muito mais sofisticadas de organização da informação. Em relação ao ofício, o canvas é uma ferramenta muito mais plástica, que permite a edição colaborativa de ideias e admite diversos tipos de arquitetura da informação. E justamente neste último aspecto se encontra o que ela tem de mais poderoso.

A administração gameficada facilita a administração da arquitetura do conhecimento que há por trás dos conceitos do negócio e suas premissas mais estratégicas. Possibilitando ao administrador trabalhar diretamente na inteligência do seu negócio, ao contemplar em uma só superfície, aspectos operacionais, táticos e estratégicos do sistema. Como se tivesse diante dos seus olhos o código fonte da empresa, ou o seu DNA organizacional. É o jogador com máximos poderes no desenvolvimento jogo de desenvolver sistemas de informação: o superuser ou admin. Nomeclatura pelo qual o software reconhece o log-in do seu usuário mestre ou criador.

Ferramentas menos sofisticadas do que as que usamos na primeira Oficina de #jogadas já estão há um tempo sendo usadas e difundidas dentro da indústria de desenvolvimento de software. Para se ter medida do quão as ferramentas de desenvolvimento de software (de informação) estão mais avançadas do que as ferramentas de administração de segmentos industrais, como a indústria automotiva, temos o exemplo do experimento feito pelo time Wikispeed. Em que, em um desafio, uma equipe de engenheiros multidisciplinares de software conseguiu em 3 meses desenvolver um automóvel capaz de percorrer 50km/l com um uso mínimo de recursos e apenas ferramentas gratúitamente disponíveis na internet. O mesmo resultado levaria 50 anos com as ferramentas de desenvolvimento que a indústria automotiva utiliza atualmente. Mesmo que considerássemos o ritmo de evolução das montadoras japonesas.

A ferramenta canvas Matriz Metafísica, ou como prefiro chamar, Matriz Espelho, permite algo mais profundo do que as metodologias usadas pelo time Wikispeed. Ela permite a contemplação da estratégia, arquitetura e operação de um sistema em uma só ferramenta.
Em apenas 90 minutos um time formado por jogadores que se conheceram no mesmo dia desenvolveram um projeto, do conceito à um cronograma de ações imediatas, contemplando princípios estratégicos de funcionamento, contando apenas com o coaching de um jogador como indutor da experiência por meio de perguntas.

Todo um ritual de criação e sprint planning percorrido por pessoas que nunca tinham ouvido falar de ferramentas como SCRUM até então, em apenas 90 minutos.
A visão que esta metodologia permite é um futuro onde projetos de alta complexidade poderão ser administrados por equipes que se encontrem para decisões apenas uma vez por semana, ou talvez, as façam apenas remotamente.

A injeção de criatividade e foco que os jogos causam na nossa mente, e a administração inteligente que sistemas como este permite, tornariam o trabalho tão ótimamente distribuido que se tornaria uma atividade de poucas horas semanais e não várias horas diárias. Possibilitando aos indivíduos a alocação de mais tempo para consumo de material criativo. Como consumir conhecimento, arte e cultura como hábito de aprendizado e lazer para conseguir produzir criatividade. A exata visão contida no trabalho do sociólogo italiano Domenico De Masi e sua proposta de sociedade de ócio criativo e contemplação da criatividade.
A chegada desta sociedade já aconteceu. Todos os dias casos novos de crianças com ideias criativas de negócios estão ficando milhonárias com empreendimentos na rede. O atual momento da capacidade criativa humana já colocou nas mãos de milhões por meio de smartphones as mesmas ferramentas de trabalho que há poucos anos atrás eram alcançáveis apenas a super CEOs. Os mais habilidadosos em utiliza-las criativamente estão criano negócios milionários a partir de poucos dólares.

Com uma cultura cada vez mais sedenta por video games, e que treina a cada dia milhões de pessoas a alcançar o sucesso em ambientes virtuais como jogos, estamos muito próximos do momento em que o ser humano vai poder se concentrar apenas no melhor da vida: brincar!