“Eu tenho medo de te magoar”. A velha desculpa de quem não sabe dizer adeus.

“Toma cuidado comigo”, foi o que você me disse.
É, eu vou tomar. Quero tomar mesmo, entende? Poder cuidar e dar o carinho que você merece. Tomar suas lágrimas quando elas forem pesadas demais. Quer que eu esteja atento? Estarei. Pra cada medo seu, cada aflição, cada suspiro e cada desespero. Não sei se já percebeu, talvez não tão bem naquela noite, mas nessa altura do texto: eu tenho muito medo também, mas eu não vou sumir na hora que você for dormir com um fardo não resolvido. Eu vou te estender minha mão. O meu braço. O meu coração medroso metido a corajoso. Mas eu vou estar contigo, tomando cuidado. Dando cuidado. Primeiros-socorros de uma alma forte em estado fraco. Atenderei você com prioridade se ainda não percebeu.
Talvez o dia em que você leia isso, se é que vai ler mesmo, não estejamos mais juntos. Se é que um dia realmente estivemos (mas minhas memórias se acostumaram a lembrar assim, afinal, não foi só um beijo. Foram nossas mãos, o seu cabelo pintado, o seu cigarro, o nosso abraço, aquela festa, o meu colar, a catuaba, a risada frouxa, o sorriso sincero, o boa noite aberto e a nossa promessa de que éramos tão iguais que daríamos certo.)
Tomei cuidado contigo. Ou menti ter tomado, porque de fato, fugir do perigo, seja qual for, ainda um tão bonito, não cabe ao meu peito e sua história. Eu não fujo de quem eu gosto, eu não fico com o pé atrás. Eu não faço pela metade as coisas com alguém que eu quero o mundo e um pouco mais. Ainda é de manhã, você está dormindo, e fico feliz que tenha conseguido. Você merecia um descanso, um ajuste nesse balanço que talvez tenha lhe assustado.
“Eu vou explodir e eu tenho medo que eu te magoe quando acontecer”. Agradeço a preocupação, de verdade, mas você, no pouco que me conhece, sabe que eu não vou a lugar nenhum. Se você é uma granada eu vou estar do seu lado esperando você se concretizar, pois mesmo que me machuque, eu não posso deixar você sozinha nessa. Não consigo deixar. E não que eu espere ganhar algo com isso ou um final feliz merecido por uma ação nobre. Claro que não. Não espero que a Vida vá ser boa comigo logo agora, ou que o Destino tenha decidido que eu mereço algo.
Eu vou explodir contigo e depois eu me viro. Bom mesmo seria me virar eu e você, nos construindo de volta juntos. Diziam os antigos que a base da criação é a destruição. Que quando uma estrela explode, outra nasce. Não há como um existir sem o outro. Se queremos algo nosso, forte e único, do tamanho que estávamos desejando, talvez seja o universo dizendo “Esse é o caminho. É preciso vencer o medo e se entregar a dor, ela é temporária. Mas façam isso juntos e se renovem, de braços dados.”
E eu admito que o meu maior medo é que tudo isso seja… em vão. Já disse que não espero um final feliz, a palavra “final” não me agrada muito. Mas continuar contigo… não seria nada mal. E pra você?