Faculdade: quem faz questão de estar aqui? Um texto para todos os criadores.

Certa vez uma amiga querida me disse o seguinte: não deixe a faculdade atrapalhar a sua educação. Eu penso nisso todos os dias.

Esse tweet é de 2013 e talvez o PC não pense mais assim, mas a indagação cabe aqui como um bom questionamento.

Antes de tudo: eu faço publicidade e propaganda, e o que vou falar é para os cursos (e trabalhos) voltados para a indústria criativa. Se você faz outro curso, leia e se identifique por sua própria conta e risco. Talvez você, assim como muitos outros, esteja no piloto automático. *O que foi escrito não é verdade absoluta, é aquilo que eu cansei de deixar o silêncio amordaçar.

As universidades seguem um modelo antigo que não se adaptou tanto com o passar dos anos para a realidade dinâmica em que vivemos. Ela funciona em 90% dos casos, para 90% das pessoas.
Estou aqui para dar voz aos outros 10%. Artistas, empreendedores, comunicadores, influenciadores. Pessoas as quais não se encaixam em curso nenhum e tem vontade de sobra pra fazer acontecer.

É o sonho de todo o aluno passar no vestibular. É mesmo? De todos nós? Eu sei que para muitas pessoas é um sonho sim. É sincero. Mas vivemos uma atualidade tão massante que a instituição de ensino superior é tão requisitada e que todos os alunos devem sim querer um dia chegar lá. Ai de quem achar que não. Quem não compartilha desse sonho tão nobre é julgado. E julgam, julgam, julgam. Quem não quer ir pra faculdade só pode ser um vagabundo que quer uma vida fácil, ou uma pessoa sem esforço e capacidade intelectual. Claro.

Qual o real valor de um papel com seu nome escrito? O que ele prova que você mesmo não possa provar? O que tanto vale nele que você não consegue mostrar? De papel em papel, criam-se doutores reféns de seus doutorados, vazios de todo o resto. Convivência, improviso, compreensão, bom senso, empatia, humanidade. (Tive bons professores? Tive. Vale o estresse gerado pelos colegas deles? Talvez não. Provavelmente não.)

Te forçam a assistir a aulas, impondo a regra de que se você faltar um número X de aulas, vai reprovar. Não importa se seu professor dá ou não a aula. Se ele realmente sabe do que está falando ou não. Se ele fala mais de si do que do conteúdo. Se ele veta qualquer debate, se ele impõem as próprias vontades de forma a cortar as suas pela raiz. Destacam mais alunos que seguem o papel, do que aqueles que arriscam e inovam. Cortam sua criatividade. Cortam você.

Eu, no meu curso de publicidade e propaganda, ouvi da boca de um professor que: “Nesse curso não tem espaço para criatividade”, e vi alunos apoiarem isso.

Sei que medicina não se aprende em casa. Mas eu também sei que muitas coisas se aprendem em casa. Que se pode aprender muito olhando pra si mesmo e se entendendo aos poucos. Observando os outros, assistindo vídeos no Youtube, procurando por conta própria alguns livros. Vivenciando. Nem sempre um professor vai mudar sua vida e seu mundo. Nem sempre ele vai te tornar alguém melhor. Pelo contrário, alguns provocam grande frustração em você.

E quando a gente não se encaixa em nenhum curso?

Veja bem, como que querem limitar algo tão infinito quanto um ser humano, em um número finito de cursos? Quem não conhece alguém que não se encaixava em nenhum e teve que “escolher o melhor”, ou “o mais próximo”? A indústria criativa está cheia de buracos não tapados pelos cursos oferecidos.

Não à toa vemos cada vez mais escolas especiais, voltadas para o núcleo criativo, surgindo ao redor do país. Dois exemplos? FazINOVA e a Perestroika, duas escolas criadas para acolher o público que não se encaixou, mas que têm vontade de sobra, têm ideias pra vender e tem um gênio forte. Artistas, empreendedores, criadores, geradores de cultura, comunicadores, influenciadores (Youtuber é profissão sim e vocês vão ter que aceitar isso).

“A Pior Escola do Mundo” é uma das formas como a Perestroika se descreve, afinal, somos todos vagabundos que dão valor para o criativo e o não-tradicional. Somos monstros. (Monstros que mudam o mundo)

Em duas aulas com a Perestroika, eu aprendi mais do que aprendi em um semestre com uma de minhas professoras.

Lá, aprendemos fazendo, se divertindo e procurando dentro de nós, formas para fazer. Além disso, questionando o que somos e o que queremos. Já que muitas vezes não recebemos essa oportunidade na vida. Não de forma sincera a qual as respostas a seguir não seriam julgadas: “Quero trabalhar com o Circo”, “Quero produzir festas”, “Quero fazer vídeos para a internet”, “Quero escrever livros para jovens”, “Quero idealizar aplicativos”, “Quero ser tatuador”, “Quero abrir uma padaria diferenciada”, “Quero vender bicicletas vintages”, “Quero ser modelo”, “Quero ser fotógrafo de festivais”, “Quero trabalhar no Twitter”, “Quero ser grafiteiro”, “Quero ser produtor de conteúdo pra internet”, “Quero ser cartunista”(…).

Queremos ser o que o resto das pessoas acha que não dá dinheiro. Mas tudo quando feito com vontade, dedicação e sendo aquilo que você sabe fazer, dá certo (e dá dinheiro).

Quero que você curse medicina se assim desejar e lutar. Que você faça direito caso seja sua vontade. Que você faça engenharia química se for o que você quer.

Mas eu quero que meu colega que deseja ser algum dos exemplos citados anteriormente, possa ser. E que se ele quiser fazer faculdade pra isso, que tenha opção. Mas que se não quiser, que tá tudo bem. Ele corre por fora. Afinal, quantos de nós não corremos por fora toda semana, atrás de conteúdo e material para sermos melhores? Quantas vezes um professor não ensinou tudo o que deveria e você precisou ir atrás por conta própria?

O Conta Própria conta muito. Pense nisso.

Sei que muitos professores se irritariam com o que eu escrevi e, reproduzindo críticas de senso comum, diriam que eu preciso deles e da teoria, que sou um vagabundo a procura do caminho mais fácil. Olha, tenho me virado muito bem sem sua teoria, e os caminhos que tenho tomado são muito mais complexos do que você pensa (e parte é culpa de vocês).

Mas tudo bem, “eu nunca fiz questão de existir” na sua sala de aula, professor. “Desculpa incomodar” e pedir para o senhor deixar a teoria pra quem quer teoria, e deixar quem quer criar, criar. Ousar e inovar. Ser.

Pra quebrar o clima tenso, uma foto dos senhores Mike Wazowski e Sullivan Truck indo para univseridade
Esse texto não é um brado de revolta contra as universidades. É um pedido: desçam do pedestal de ego e mudem.

*Tudo aqui foi escrito ao som de “Piloto Automático” da banda Supercombo, qualquer referência é mera inspiração.