Quem me dera saber amar

João Doederlein
Jan 9, 2017 · 2 min read
fotografia por Paolo Raeli

Eu me sentei com ela na mesa de um bar que nunca fui. Era um reencontro de duas pessoas que nunca se encontraram, mas os toques não deixavam mentir o afeto. Éramos estranhos tão conhecidos que fazíamos os beijos de balada terem inveja de nós dois. Dentre tantos desconhecidos que vivem na mesma cidade que eu, logos nós dois estávamos ali.

Mas a imaginação cria fantasmas que o próprio medo teria medo. Situações que não existem, mas perturbam como se fossem reais. Incomodam como se não fossem banais. Nosso encontro foi o melhor confronto de amor que eu já presenciei. Proposital e sem roteiro.

O problema de não termos um ato seguinte definido é que não podemos esperar nada. E a expectativa quando sem consolo, cresce sem motivo. A vontade de se esbarrar aumenta e eu começo a ir em lugares que nunca fui só pra por acaso te encontrar. Escuto músicas que nunca escutei só pra entrar na batida do seu peito. Mesmo sabendo que não sou nem de longe peça que encaixe em você, acredito na velha poesia que diz que “a vida gosta de surpreender”.

Eu não sei me portar diante do amor. Eu me apego aos velhos clichés, e a vida me faz perceber que estou num jogo perigoso, no qual ponho tudo a perder: você.

Ah quem me dera saber amar.

João Doederlein

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Ressignificador de palavras profissional, poeta de apartamento, e criador do Contos Mal Contados http://on.fb.me/1PW436R

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