Gargalhada

O doido ficou ali a rir da menina aturdida. Balbuciou algumas palavras sem sentido para ela e a viu fugir e pegar o primeiro ônibus. Pensou na sua vida e na mente confusa. Sabia que o viam como louco, mas não se sentia dessa maneira. Ele enxergava mais do que os olhos dele poderiam ver. Ele sentia como se alguma coisa, alguma entidade o possuísse.

De uma forma ou de outra ele sentia o que a menina magrinha que havia passado por ele estava assustada com alguma notícia séria. Ele ria, porque sabia que os seres humanos são fúgios, são efêmeros. As decisões, por vezes, proferidas com tanta convicção, são desfeitas pela emoção. Quantos homens, após uma envergonhosa ressaca, não decidiu parar de beber? Quantas mulheres, após uma relação sexual desprotegida, não decidiu ser mais atenta antes da menstruação vir? Percebeu que Luizinha estava arrependidamente feliz com suas decisões. Gargalhou e ficou olhando-a sentada no quinto banco da janela do ônibus.

-Seja feliz! Gritou ele com convicção.

O maluco imaginou que Luizinha havia descoberto uma traição do amor da sua vida. O doido pensou isso por alguns motivos: deixe-me descrevê-los. A gravidade do semblante de Heloísa aparentava a preocupação interior. A íris cor de jabuticaba, apontando para baixo e para a esquerda,demonstrava retomada do pensamento, da lembrança dos movimentos vividos e, por fim, o andar ligeiro, indo sem saber direito para onde, de forma automática, demonstrava a fuga de sair de uma situação constrangedora que vivera há pouco. Não que o doido tivesse vivido situação parecida…

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