2001: Uma Odisseia no Futuro

Alan Soares
Jul 21, 2017 · 3 min read

O ano é 1968. As pessoas estão vivendo na presença de um espírito, chamado Guerra Fria. O espírito da Guerra Fria ronda o mundo, e sua essência trata-se do futuro. Foi esse mesmo espírito que levou Kubrick a criar uma das obras mais importantes do cinema de ficção científica, o futurista 2001: uma odisseia no espaço.

Depois de presenciarem os horrores da 2ª Guerra Mundial, as pessoas estavam ansiosas para o futuro. O que esperar do novo milênio, afinal? Divididos entre bombas atômicas com o poder de aniquilar o mundo e naves espaciais com o potencial de nos levar até o infinito do universo, a população vive um misto de medo e esperança. E esse espírito, da Guerra Fria, é alimentado pelas tecnologias, ou melhor, pela explosão tecnológica da época. Computadores, espaçonaves, televisores, tudo avançava em um ritmo vertiginoso, de tal modo que a ópera espacial de Kubrick se passa apenas 33 anos no futuro. Nesse tempo, a humanidade já teria colonizado a Lua, encontrado evidências de vida alienígena e criado uma inteligência artificial muito refinada.

A tecnologia avançava cada vez mais rápido, e cada vez mais se tornava indispensável na vida das pessoas. 2001, além de outras coisas, é sobre a confiança na tecnologia. Eles chegam a colocar o controle de toda a nave da Missão Júpiter sob a responsabilidade do computador HAL-9000. Os humanos Dave e Frank são praticamente inúteis, sem contar com o restante da tripulação, que está em estado de hibernação durante toda a viagem.

Mas toda essa confiança cobra seu preço. HAL-9000 descobre que os astronautas planejam desligá-lo, e então decide que ele vai “desligar” os humanos antes que isso aconteça. Ele desativa as câmaras de hibernação dos pesquisadores, corta o oxigênio de Frank e tenta deixar Dave pra fora da nave, para morrer na imensidão do espaço. O astronauta consegue sobreviver, e reinicia HAL, mas o fato é que a inteligência artificial ganhou autoconsciência, e prezava pela própria vida tanto quanto qualquer ser orgânico. Naquele ponto, não havia mais distinção entre humano e máquina. HAL-9000 superou sua programação e reivindicou seu papel de sujeito, de ser consciente.

HAL foi projetado por humanos. HAL aprendeu coisas com humanos. HAL desenvolveu pensamentos como os humanos. E, quando o computador viu sua vida e o futuro da missão comprometidos, tomou decisões próprias — decisões que um humano, talvez, também fosse tomar. Dave deu uma ordem, mas a inteligência artificial já não era mais um escravo, e gentilmente recusou:

“I’m sorry Dave. I’m afraid I can’t do it.”

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