Pop Art: A Industrialização da Arte

Alan Soares
Jul 21, 2017 · 3 min read

A fórmula tomou o lugar da obra

O século XX mudou drasticamente a maneira como o mundo funciona. A tecnologia nunca tinha avançado tão rápido, e as coisas pareciam cada vez mais imediatas. E foi aí que surgiram os meios de comunicação em massa, e desde então o mundo nunca mais foi o mesmo. Rádio, televisão, cinema. Tudo estava se popularizando, e as pessoas estavam gostando disso, principalmente as pessoas na ponta de cima do processo: os “patrões”. Depois da queda de poder da religião — anunciada por Nietzsche: “Deus está morto” — e da explosão capitalista, as mídias industriais chegaram na hora certa para transformar as nações em massas.

A arte já não importava mais. Agora o dinheiro tomava as rédeas da produção cultural. E, como toda produção capitalista, ela se fazia em molde, em grande escala, naquilo que Theodor Adorno chamou de Indústria Cultural.

“A técnica da indústria cultural só chegou à estandardização e à produção em série, sacrificando aquilo pelo qual a lógica da obra se distinguia da lógica do sistema social.” — Adorno

A comunicação de pares deu lugar à comunicação de massas, em que todos, autoritariamente, recebem a mesma mensagem, perdendo seu lugar de sujeito. É tudo padronizado, repetido. As produções usam as mesmas fórmulas (que garantem o sucesso de vendas) em tudo quanto é filme, programa de televisão e rádio, anúncio publicitário, etc. A originalidade do artista deu lugar aos rentáveis clichês da indústria.

No meio dessas rupturas culturais e desenvolvimento técnico surge, no final da década de 1950, o movimento artístico chamado Pop Art. Agora que as massas estavam sendo atingidas, que a arte virou produto e que a reprodutibilidade técnica aflorou, os artistas dessa época deram início a obras que refletiam, parodiavam e criticavam o cenário mundial.

HAMILTON — Just what is it that makes today’s homes so different, so appealing?

Tradicionalmente, se reconhece como pioneiros da Pop Art o Independent Group, da Inglaterra. Na obra O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?, de Richard Hamilton, por exemplo, ele exprimia perfeitamente o American Way of Life — ideia de que quanto mais produtos você tem, mais feliz é.

Foi justamente com o avanço das técnicas de impressão, principalmente serigrafia, e materiais de suporte, tais como goma, espuma, poliéster e acrílico, que esses artistas refletiam o espírito da indústria cultural. A arte deixou de ter uma aura. Ela podia ser reproduzida indefinidamente, como qualquer produto de consumo.

O termo “pop” vem exatamente da característica popular que essa arte tentava alcançar. Já não cabia mais produzir obras para uma elite cultural. A cultura agora pertencia ao povo, e a eles eram destinadas as produções. Com cenas cotidianas, latas de sopa Campbell’s, astros de Hollywood e garrafas de Coca-Cola o dia a dia mundano e comum das pessoas passou a incorporar obras de arte em museus e galerias.

Como tudo virou produto, nada mais era único e individual. A comida era a mesma. O refrigerante era sempre igual. A novela que eu assisto é a mesma que meu amigo de outro estado vê. A padronização se distribuía para as massas (consumidoras), e dessa fábrica nem os seres humanos foram poupados. Elvis Presley e Marilyn Monroe não eram indivíduos; eram bens de consumo. Seus corpos tornaram-se meras imagens, imagens caras que eram vendidas nos shoppings culturais do mundo. Andy Worhol, maior expoente da Pop Art, representou essa despersonalização e objetificação dos famosos em suas obras, reproduzindo tecnicamente fotos deles. Podia-se ter 3, 6, 9, ou quantas Marilyns você quisesse. Ela não passava de um produto numa linha de montagem.

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