Quando me vi em uma paixão platônica

Eu quase nunca escrevo nada mas não sei como dizer isso em voz alta sem parecer um grande, gigante, enorme maluco. Isso porque, no auge dos meus 28 anos, eu percebi uma coisa: eu ainda tenho paixão platônica. Sabe, aquele sentimento muito conhecido por adolescentes no ensino fundamental, quando você tem interesse em alguém mas não tem a coragem de chegar até ela e jogar a real?

Pois é, eu ainda tenho uma paixão platônica. E, apesar de ser horrível, é algo proporcionalmente incrível. Sentir isso me mostrou que eu ainda tenho vivo em mim alguns sentimentos que, no geral, deixamos sumir depois da vida adulta. Trabalho, contas, casa para arrumar, notícias, mais contas… tudo isso te consome e você se acostuma a focar em séries de TV para sentir algo que fuja do círculo vicioso dos jovens adultos de hoje.

Mas como um adulto deixa isso se instalar no coração e na mente? Eu não sei… eu não sei quando chegou e nem sei como resolver algo assim. Mas sabe quando você namora sozinho alguém? É péssimo! E quando a pessoa que você namora não sabe da sua existência? Pois bem, ela até sabe que você existe, já te deu um Oi ou já te viu em algum lugar, mas nunca além disso?

Mas, pior que isso, é a minha reação diante uma paixão platônica. Eu deixei ela ficar aqui por meses. Meses. Meses. Talvez uns 3 meses. Sem fazer absolutamente nada. Nem tentar contato e nem fugir completamente.

Mas, vamos voltar ao inicio de tudo. Meu primeiro contato foi pessoalmente. Eu estava em uma festa, ligeiramente bêbado, e um colega de trabalho me apresentou o tal EM (vou chamá-lo assim). Foi algo de 3 segundos:

Colega: Olha, você conhece o EM?
Eu: Não. Tudo bem?
EM: tudo e você?

E sem tempo de eu responder, alguém já havia puxado seu braço e ele ido embora tão rápido quanto chegou. Mas isso foi mais que o suficiente. Eu o vi brilhando, a presença dele me cativou de tal forma que eu não consegui pensar em mais nada no restante da noite. Eu não o vi mais nos próximos 20 minutos que permaneci na festa e isso atingiu o mais importante para uma paixão platônica: o inalcançável. Ele se tornou totalmente inalcançável para mim. Será que ele morava em SP? Será que namorava? Deveria falar com esse contato profissional sobre ele e correr o risco de parecer antiético?

Pensei em pesquisar nas redes sociais pelo nome dele e tentar encontrar. É engraçada essa relação com as redes sociais. Você pode stalkear alguém e, de repente, você conhece tudo sobre ela: seus gostos, curtidas, assuntos que a pessoa mais gosta, seus amigos, onde ela vai, onde ela gostou de ir, onde ela odiou ir. É possível, com alguns cliques, traçar um perfil exato da pessoa e se adequar para ser o cara que ela procura. Mas eu não queria isso. Eu não queria ser o cara perfeito. Eu queria conhecer ele de uma forma tradicional, no cara a cara, ter um encontro e conversar horas e mais horas e, então, conhecer quem ele era.

O que eu escolhi? Que eu não iria procurar pelo cara e deixar o universo trabalhar sozinho. E não é que ele fez seu trabalho? Cerca de 1 semana depois eu segui uma pessoa no instagram e BOOM, o perfil dele apareceu como sugestão. Eu sorri, mas ainda assim resolvi não fazer nada. Passei 3 meses só acompanhando as fotos que apareciam no feed. Sorria em todas, curtia e continua minha vida. Mas a minha cabeça me pregava várias peças e, a cada instante, vinha a vontade de conhecer aquele boy. Pensei muito, perdi algumas horas de sono, estava entre a ética e a paixão platônica. Não que fosse antiético perguntar sobre ele, mas seria algo que faria eu me sentir estranho.

Tomei coragem e mandei para o meu colega que, neste momento, já tinha mais contato e já havíamos conversado bastante sobre diversos assuntos:

Eu: Foi você que me apresentou EM?
Colega: Sim. Pq? Precisa falar com ele?
Eu: Não, só queria lembrar de onde eu o conhecia.

Tive essa reação por conta do pânico. O encanto é gigante e o pânico de trazer tudo isso para a realidade me assustou e eu recuei. Covardia pura. Eu estava vulnerável. Pensei que seria carência, mas eu não me sentia carente. Muito pelo contrário. Eu sempre apreciei a vida de solteiro e a minha própria companhia. Eliminei essa opção. Pensei que pareceria insano, quase como se eu estivesse seguindo EM em todos os lados. Mas eliminei a opção também, já que não queria estar perto dele, não o seguia, não tinha ele nas redes sociais, somente no instagram, e não ia para nenhum lugar porque ele estaria lá. Pensei, pensei, pensei. Então decidi: se eu não tinha problema algum, apenas interesse nele, por que não falar com ele?

Então, pensei: vou dar só uma stalkeada. Descobri que temos um gosto musical parecido por alguns artistas. Vi que ele é uma pessoa que parece ser incrível, mas eu não queria aquilo. Eu queria sentir aquela mágica do primeiro encontro. Eu estava aberto àquela sensação que ele me trouxe quando cruzou o olhar com o meu. Eu tenho a noção de que ele me olhou mas não me viu. Mas eu sei que eu o vi.

Enviei uma mensagem para meu colega e perguntei se seria possível um passeio em que ele e eu estaríamos presentes. Ele riu mas achou a ideia legal. Eu sorri. Senti medo de quebrar a ilusão. Mas, quem sabe o encanto que se instalou em minha cabeça não se instale também na minha vida? O tempo vai dizer…