NÃO TRANSFORME SUAS ORAÇÕES EM SERMÕES

Ryan McGraw

Aqueles que oram em reuniões de oração falam a Deus na presença de outras pessoas. Nós devemos tomar cuidado para não cairmos no erro de falarmos às pessoas em vez de falarmos ao próprio Deus. Este é um dos piores e mais comuns erros na oração pública. Se dizemos coisas como: “Senhor, nós sabemos que tu nos disseste para nos guardarmos da tentação e aqui há algumas pessoas que estão andando em situações de tentação, e elas sabem que deveriam parar, mas não param, muito embora eu tenha tentado confrontá-las repetidamente…”, então estamos pregando em vez de orando. Muitas orações que começam com “Senhor, nós sabemos”, correm o risco de pregar em vez de orar.

Orar dessa maneira é muito semelhante à oração do Fariseu, que “orava… para si mesmo” e agradecia a Deus porque ele não era como os outros homens (Lucas 18.11). O objetivo na oração deve ser expressar os desejos de outros através da voz e não mudar suas opiniões e práticas por meio do conteúdo das orações. Se existem questões que devem ser resolvidas entre os membros da igreja, ou se existem áreas nas quais discordâncias na doutrina ou prática, então você deve discutir tais coisas de maneira privada.

Os oficiais da igreja precisam ser particularmente cuidadosos nessa área. Tenho visto presbíteros que trabalham em suas orações públicas apenas para os seus preparativos saírem pela culatra. Alguns, de modo habitual, citam várias estrofes dos seus hinos favoritos. Outros citam teólogos respeitáveis. Eu também tenho ouvido alguns citarem, explicarem e aplicarem longas passagens da Escritura. Enquanto tais práticas se destinam ao bem, elas subvertem a utilidade e a eficácia da oração pública. A maioria dos ouvintes acha essas práticas detestáveis. Aqueles assentados sob tais orações têm a impressão de que estão levando dois sermões pelo preço de um. É útil para aqueles que lideram o culto pensar a respeito de suas orações antes de orarem publicamente, mas eles sempre deveriam ter como objetivo expressarem os seus corações a Deus no lugar da congregação, usando linguagem clara e direta, além de expressões simples.

A regra simples a este respeito é lembrar que você está falando a Deus em vez de a homens. Você deve se dirigir a ele de uma maneira que as pessoas entendam você e orem com você. Obter consentimento é parte da tarefa da oração corporativa; transmitir informação, não. Nas reuniões de oração você não deve usar expressões que impliquem que está ensinando alguma coisa ou a Deus ou ao seu próximo. Falar como se você estivesse informando a Deus em suas orações é tolice, e procurar transmitir informação aos outros é inapropriado. Frequentemente as pessoas veem aqueles que pregam em suas orações como falsos, insinceros e presunçosos. Você não fará nenhum bem às almas dos outros nem obterá nenhum crédito para si mesmo se transformar suas orações em exortações veladas ou exposições da Escritura.

FONTE: Ryan McGraw. How Should We Pray at Prayer Meetings. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2017. Posição 188–209. Edição Kindle.