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Queria vos recordar dessa lei:

O casamento (marriage) relaciona-se culturalmente com o amor romântico[8], oxigenado pelo capitalismo, que promove dia dos namorados (Valentine’s day) e efemérides comemorativas[9] para todos os momentos, do noivado ao batizado, para todos os interessados, pais, mães, filhos, e para todos os fornecedores, de bolos e festinhas de aniversário. Há dois tipos de matrimônio (wedlock): o convencional (público e oficial) e a mera habitação conjunta (common law marriage). A idade nupcial varia de dezesseis a dezoito anos, dependendo da legislação estadual[10]. Os interessados devem requerer licença a notário municipal (county clerk) e esperam três dias para deferimento do pedido[11]. Em alguns estados, o burocrata entrevista os nubentes, a propósito de casamentos anteriores[12].

Também algumas legislações estaduais exigem testes sanguíneos para identificação de doenças sexualmente transmissíveis, embora o resultado não possa determinar negativa de autorização[13]. A cerimônia que segue tem o objetivo de tornar pública a nova condição dos interessados. Nocommon law marriage, a informalidade é a regra. A prova da vida em comum faz-se com a notoriedade da habitação, com preenchimento de declaração de imposto de renda em conjunto (joint IRS returns), com conta bancária única, com filhos[14]. Há estados que não reconhecem originariamente esses casamentos de fato. Obrigam-se, porém, a admitir o status de casais nessa circunstâncias, se o estado de origem reconhece a validade de tais uniões[15]. O caso The Marvin vs. Marvin Palimony Suit[16]fixou o direito de casados de fato ajuizarem ações com o objetivo de discutirem divisão de propriedade decorrente do relacionamento.

O poder do marido caracterizou o casamento enquanto unidade política e econômica. Segundo historiador do direito norte-americano, marido e mulher eram (…) uma carne; mas o marido estava definitavamente no comando da carne (…) e muito mais do que da carne[17]. Alexis de Tocqueville, viajante francês nos Estados Unidos, na década de 1830, notara que (…) o pai exerce, sem oposição, absoluta autoridade doméstica que a fraqueza dos filhos faz necessária, e que o interesse, além de indiscutível superioridade, justifica[18]. No século XIX o direito de família norte-americano destruia a independência da mulher, esmagando sua individualidade[19].

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